Após o fim da isenção de impostos para kits de montagem CKD e SKD, Alckmin recebe visita de executivos da BYD

Reunião acontece hoje às 16h; com o fim da isenção, impostos para os kits de montagem usada para carros elétricos deve ir de 0% a 35%
Atualizado: 4 de fevereiro de 2026 05:02
Geraldo Alckmin com executivos da BYD na inauguração da fábrica em Camaçari, Bahia
Geraldo Alckmin na abertura da fábrica da BYD em Camaçari | Gov.br / Divulgação

O vice-presidente Geraldo Alckmin tem hoje às 16h uma reunião com executivos da BYD: Alexandre Baldy , vice-presidente da BYD no Brasil e Luiz Fernando Barbosa dos Santos, diretor de relações institucionais e governamentais. Também participará Uallace Moreira, secretário de desenvolvimento industrial, inovação, comércio e serviços do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

A pauta da reunião não foi explicitada, mas o timing parece deixar óbvio um dos temas mais quentes: o fim da isenção de importação para kits CKD (desmontados) e SKD (semidesmontados), que aconteceu em 31 de janeiro.

Esses kits são como carros chineses hoje são fabricados no Brasil. Não usam de peças nacionais, com a fábrica atuando literalmente como montadora. A isenção, determinada em prol da eletrificação e a chegada de novos fabricantes, foi determinada pela resolução Gecex 532, de 2023, e pela portaria Secex 328, de 2024. Essas medidas previam um valor máximo, em milhões de dólares, de kits que poderiam ser importados para a fabricação no Brasil sem impostos, desde que para carros eletrificados.

Com o fim da isenção, os veículos elétricos nacionais ficarão mais caros. De zero, o valor agora é de 16% para CKD e 18% para SKD, mas deve chegar até 35% até o ano que vem.

A renovação não foi requerida pelos fabricantes chineses até o fim da decisão – e a razão deve ficar clara hoje. Mas satisfaz a um pedido da Anfavea, a associação dos fabricantes tradicionais e fabricantes de peças, que enviou uma carta ao presidente pedindo pela não renovação dessa isenção. A associação considera que o uso desses kits pode gerar um processo de desindustrialização, já não usam peças fabricadas no Brasil.

Nosso take: a Anfavea tem um ponto, mas é cedo

A preocupação da Anfavea com desindustrialização é legítima. Não queremos que carros terminem como eletrodomésticos, produzidos no esquema white label, feitos na China e recebendo rótulos de diferentes marcas no Brasil.

Mas, na prática, os fabricantes chineses beneficiados (BYD e GWM) puderam produzir eletrificados no Brasil por menos de seis meses antes do fim da isenção. As decisões foram em 2023 e 2024, mas só no segundo semestre de 2025 começou a produção nacional – e só a BYD faz carros elétricos puros, e exatamente um único modelo: o Dolphin Mini. Os demais são híbridos. Essa produção aconteceu pela primeira vez em mais de 50 anos, desde de um experimento de resultados dúbios da Gurgel.

Faz sentido cancelar o incentivo com um único modelo sendo produzido? Se o plano era facilitar a eletrificação e a chegada dos chineses, parece precipitado esse corte, e no momento em que os mesmos fabricantes estão anunciando uma nacionalização progressiva – e já existem outros incentivos para essa nacionalização, como o Programa Carro Sustentável, que excluiu elétricos por não serem nacionais o suficiente. Alguns membros da Anfavea inclusive se beneficiam desses kits, diretamente (a GM, com seus modelos chineses feitos no Ceará), ou por parceiros (a Renault, parceira da Geely e a Stellantis, da Leapmotor, ambas prestes a começar a fabricar no Brasil).

Via: Palácio do Planalto

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