
Neste sábado (7), a revista chinesa Caijing revelou que quatro subsidiárias da BYD nos EUA entraram com um processo formal contra o governo federal dos EUA, desafiando a legalidade das tarifas impostas sobre veículos e componentes chineses.
Segundo documentos do Tribunal de Comércio Internacional dos EUA (CIT), a ação foi protocolada no final de janeiro e visa declarar inválidas uma série de ordens executivas (decretos presidenciais) que aumentaram as taxas de importação sob a justificativa de “emergência nacional”.
A BYD argumenta que o presidente dos EUA não tem autoridade estatutária, sob a lei IEEPA (International Emergency Economic Powers Act, que deu poderes emergenciais ao governo par impor seus tarifaços), para criar novas tarifas do nada. A empresa pede não apenas o fim das cobranças, mas também o reembolso total com juros de todas as tarifas já pagas pelas suas operações no país.
O processo ataca especificamente decretos que taxam produtos vindos do México, Canadá e da China. O processo menciona inclusive contesta o decreto contra o Brasil (a Ordem Executiva 143.23, que foi abrandada em novembro para certos produtos) O México, aliás, foi pressionado pelos EUA a impor seu próprio tarifaço contra a China.
Há precedentes similares: um importador de vinhos de Nova York ganhou uma causa similar recentemente. Se a BYD vencer, as tarifas punitivas sobre carros elétricos chineses poderiam ser anuladas. A decisão poderia garantir que veículos fabricados pela BYD no México ou na sua nova fábrica no Brasil entrassem nos EUA pagando taxas normais (abaixo de 15%), ignorando as barreiras geopolíticas atuais.
A BYD nos EUA
Hoje, a BYD já opera nos EUA, mas focada estritamente em ônibus elétricos e caminhões, fabricados na sua planta em Lancaster, Califórnia, que emprega 750 funcionários. A receita anual da divisão americana gira entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão.
No entanto, o sonho da marca é entrar com os seus carros de passeio. O relatório da Caijing sugere que uma vitória nos tribunais removeria a principal incerteza política que hoje trava a construção da fábrica da BYD no México e poderia abrir as comportas para a exportação de modelos brasileiros para o mercado americano.
O caso está atualmente suspenso, aguardando uma decisão da Suprema Corte num processo similar, prevista para o primeiro semestre de 2026. Até lá, a BYD já se posicionou na fila para cobrar a conta se o muro tarifário cair.
Via Caijing