
Diferente do resto do mundo, o mercado dos veículos elétricos nos EUA está em crise. Com a entrada de um governo basicamente hostil a qualquer tecnologia verde, que encerrou os subsídios oferecidos a carros elétricos, houve uma queda de vendas no terceiro trimestre – ainda que o balanço no ano inteiro não seja esse desastre todo, com uma queda de 2%. Mas houve variação na queda das vendas, e o modelo mais afetado de todos foi o Cybertruck.
A caminhonete elétrica da Tesla sempre dividiu opiniões, mas teve na verdade um começo promissor: em 2024, ela vendeu quase 39 mil unidades. Em 25, porém, foram apenas 20.200 unidades, representando uma queda de 48% em comparação com o ano anterior. O segundo lugar em queda também foi um Tesla, o Model Y, perdendo 15 mil unidades vendidas entre um ano e outro.
Porém, a Tesla como um todo não se saiu mal assim num mercado em retração: ela segue como o maior fabricante dos Estados Unidos, com 46% de participação no mercado em 2025, terminando o ano melhor, com 59%, numa situação de concentração.
O que aconteceu com as vendas do Cybertruck?
Quando o Cybertruck foi lançado, ninguém foi capaz de ignorá-lo. O visual de ficção científica dos anos 1980 agradou alguns, causou repulsa em outros.
Desde então, o visual não mudou, mas começaram a sair diversas notícias negativas sobre a qualidade da construção (com painéis metálicos se soltando, vidros parecendo borrados, e o capô mordendo o dedo do dono – o que foi corrigido numa atualização) e o visual tão ostensivo começou a atrair mais problemas que admiração para os donos.
Isso porque Elon Musk se envolveu profundamente com as eleições e depois com o governo Trump – o mesmo que acabou com os benefícios para EVs. Isso alienou a parte do público que não elegeu essa administração.
Para a surpresa de ninguém, compradores em potencial de carros elétricos majoritariamente não aprovam um governo antiambientalista. Estima-se que a Tesla perdeu vender um milhão de veículos – e dezenas de bilhões de dólares – por conta do marketing negativo gerado por seu CEO.
Outra possibilidade é que o próprio conceito de caminhonete elétrica não encontrou muita saída nos EUA. É uma parte do público mais conservadora, em parte rural e em parte comprando veículos utilitários pra usar como… utilitários. Essas caminhonetes – notavelmente o Cybertruck – são muito caras para o que estavam entregando em termos práticos.
Mas a verdade é que Musk pouco se importa com compradores de carros. Ele já afirmou diversas vezes que a Tesla não é mais uma empresa de carros, mas de tecnologia. As promessas da Tesla, que motivaram acionistas a aprovar um pacote de US$ 1 trilhão para Musk, não tem a ver com carros, mas robôs e robotáxis.
Via Cox Automotive