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Estudantes holandeses criam carro elétrico que você mesmo pode consertar

O Aria é um carro extremamente simples e modular, que pode ser desmontado e montado sem conhecimento técnico
Atualizado: 22 de janeiro de 2026 07:01
Quadriciclo holandês Tu Ecomotive Aria
Aria | TU Ecomotive / Divulgação

Enquanto a indústria inventa até parafuso para impedir que as pessoas consertem seu carro fora de concessionárias, um grupo de estudantes holandeses está tentando fazer exatamente o oposto. Guiada pelo princípio do direito de consertar, a equipe TU/ecomotive, da Universidade de Tecnologia de Eindhoven (Países Baixos), revelou esta semana o Aria: um protótipo de carro elétrico urbano projetado para ser diagnosticado e reparado pelo próprio dono.

O nome não tem nenhuma relação com o Nissan Ariya. É uma sigla para Anyone Repairs It Anyhwere (“qualquer um conserta ele em qualquer lugar”). E a ideia é exatamente essa: todo mundo é mecânico do Aria.

Carros elétricos, por si só, são na verdade mais simples que carros a combustão interna – por terem menos partes móveis (e peças no geral), a baixa manutenção é uma de suas maiores vantagens. Mas não são construídos para se aproveitarem dessa simplicidade em tornar os consertos mais simples.

O que faz o Aria ser diferente é uma arquitetura modular. Diferente dos carros convencionais, onde componentes são colados ou soldados – o projeto usa 97% menos cola que um veículo padrão, 250 g versus 15kg – o carro é feito para ser desmontado e montado por gente sem experiência. Motor, portas, faróis, tudo: basta parafusar e desparafusar.

Um aplicativo proprietário conecta-se aos sensores do veículo e indica exatamente qual peça precisa de atenção, fornecendo um guia passo a passo para a substituição. E o ARIA já vem com uma caixa de ferramentas integrada, contendo as ferramentas para manutenção – mais ou menos como uma bicicleta.

E têm as baterias – no plural. O pacote de energia não é uma placa única e pesada no chassi. São seis módulos independentes de aproximadamente 12 kg cada. Se uma célula falhar, o proprietário pode substituir apenas aquele módulo manualmente, sem necessidade de elevadores ou ferramentas pesadas.

A capacidade total é de 12,96 kWh – um número extremamente modesto, assim como a velocidade máxima, de 90 km/h. Seguindo os criadores, ele seria capaz de fazer até 220 km com essa bateria mínima, já que pesa apenas 650 kg. Isso faz com que seja classificado na Europa como um quadriciclo pesado, não exigindo habilitação para carros.

Segundo a equipe da Universidade de Eindhoven, o projeto é uma necessidade urgente porque carros elétricos estão cada dia mais difíceis de consertar. As peças não são padronizadas e é difícil achar mecânicos independentes e especializados. Assim, segundo eles, os carros acabam dispensados antes do necessário, e “isso diminui a imagem de sustentabilidade do EV”, de acordo com Taco Olmer, o líder da equipe.

Por enquanto o Aria é protótipo universitário, quase um manifesto por uma causa: a de que ter um carro elétrico que você possa consertar. Os criadores não falam em comercialização.

Via: TU/ecomotive

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