
O CEO da Ford, Jim Farley, mandou uma atualização no X sobre como a empresa pretende criar EVs mais baratos na próxima geração, no que chama Ford Universal Platform. O projeto pretende cortar quase à metade os preços ao consumidor, criando uma caminhonete média que empata com os EVs mais baratos no mercado dos EUA atualmente, a US$ 30 mil.
Segundo Farley, que já comparou o projeto ao Programa Apollo, a próxima picape elétrica (que se chamará Maverick e provavelmente terá um estilo externo que ao menos lembra a atual) adotará o processo de “megafundição” (gigacasting), uma técnica industrial que coloca a montadora americana no mesmo caminho trilhado pela Tesla e, mais recentemente, pela Volvo. Isso será parte de toda a série na Ford Universal Platform, que deve incluir também SUVs no mesmo chassi da caminhonete.
Segundo o executivo, a nova picape utilizará “grandes peças unificadas” (unicastings) de alumínio pela primeira vez na história da Ford. “As fundições unificadas de alumínio radicalmente simplificadas condensam mais de 146 peças em apenas duas, e habilitam o método de ‘árvore de montagem’ na fábrica de Louisville”, afirma o CEO.
Essa redução drástica de complexidade (menos soldas, menos parafusos, menos robôs) é a chave para atingir a meta de cortar 20% das peças totais e 25% dos fixadores (como parafusos) em comparação com um veículo convencional.
Solução da Tesla e da Volvo
Embora a Tesla tenha sido a pioneira com o Model Y, a Ford parece estar a seguir uma abordagem técnica muito próxima à da Volvo. A marca sueca anunciou recentemente que o seu novo EX60 será o primeiro da empresa a utilizar uma fundição única para toda a estrutura traseira do carro.
Ao adotar essa estratégia, a Ford “imita” a lógica da Volvo e da Tesla para eliminar custos estruturais e poder, enfim, competir com os chineses.
Além da manufatura, a “equipe Skunkworks” da Ford (o time de operações especiais na Califórnia) está focada em eficiência energética para permitir o uso de baterias menores e mais baratas. Farley mencionou que o time está gastando “horas incontáveis extraindo até a última gota de eficiência aerodinâmica” da picape.
Doug Field, chefe de VEs da Ford, já havia declarado que reduzir o coeficiente de arrasto em 0,01 vale cerca de US$ 25 em economia de bateria por carro.
A nova picape, que promete ser o “Ford Modelo T” da era elétrica da empresa, tem a difícil missão de substituir o vácuo deixado pelo cancelamento de outros modelos e provar que uma montadora centenária consegue lucrar vendendo elétricos baratos.