
Em uma cerimônia em Ulsan, Coreia do Sul, o estaleiro da HD Hyundai batizou dois navios: o Antwerpen e o Arlon. Ambos são os primeiros navios movidos a amônia do mundo.
A HD Hyundai é um conglomerado de indústrias pesadas que se separou do Grupo Hyundai em 2002. É hoje o maior fabricante de navios do mundo.
Navios flex
Para ser mais exato, os dois navios são os primeiros a aceitar amônia como uma opção ao gás natural que também pode movê-los. Trata-se de dois transportes de gás natural com capacidade para 46.000 m³, que foram vendidos para a Exmar LPG France.
Transportes de gás natural costumam já ser flex: eles usam o próprio gás natural que carregam ou óleo combustível pesado (HFO) que move a maior parte dos grandes navios de carga. O HFO é extremamente complexo para ser utilizado, tendo uma consistência semelhante ao piche à temperatura ambiente. Para que possa fluir e ser utilizado, precisa ser aquecido a mais de 100° C. Assim, os modelos a amônia contam com uma simplificação estrutural.
O HFO também é extremamente poluente, então a ideia é que navios a amônia trabalhem de forma limpa. A amônia sequer possui carbono em sua composição – NH₃ – e sua queima emite nitrogênio e água. Em relação ao hidrogênio, que costuma ser a opção mais comum para o transporte naval pesado, ela é mais fácil de armazenar e transportar. A desvantagem é ser tóxica para humanos e corrosiva para equipamentos. A combustão também pode emitir óxidos de nitrogênio (NOx), um sério poluente local.
Cores da amônia?
A amônia pode ser uma saída para o transporte naval mas também pode, como acontece o hidrogênio, simplesmente transferir as emissões para outro lugar.
A amônia deriva do hidrogênio. Ela é produzida no processo Haber-Bosch a partir de hidrogênio e nitrogênio. O nitrogênio é tirado do ar, mas o hidrogênio precisa ser produzido localmente, o que geralmente é feito a partir do gás natural ou carvão, liberando gás carbônico durante o processo. Por conta disso, a fabricação de amônia, que é um dos produtos químicos mais comuns do mundo, responde por 1% das emissões de gases estufa no planeta.
No caso do hidrogênio puro, o problema é reconhecido e o gás recebe “cores” de acordo com suas emissões. O hidrogênio é verde quando feito a partir da eletrólise da água, sem emissões, ou azul quando o carbono do gás natural é capturado. O mesmo tipo de controle teria que ser aplicado à amônia para os navios terem o impacto ambiental que pretendem ter.
Via Korea Herald