Assista: veículo maglev acelera de 0 a 700 km/h em 2 segundos na China

A China já é o único país do mundo com um Maglev de alta velocidade operacional, mas poderia um humano sobreviver a tanta aceleração?
Atualizado: 29 de dezembro de 2025 01:12

Pesquisadores chineses da Universidade Nacional de Tecnologia de Defesa (NUDT) realizaram com sucesso o teste de um veículo maglev (levitação magnética) que atingiu a velocidade de 700 km/h em menos de dois segundos e parou pouco depois. É um marco para a tecnologia, por parte do único país que tem uma linha operacional de maglev de alta velocidade, mas a ideia não é acelerar pessoas assim.

Maglevs são veículos (geralmente trens) de levitação magnética. Eles não encostam nos trilhos, mas são suspensos pela força do magnetismo e são movidos por motores elétricos lineares (o mesmo tipo usado em algumas montanhas-russas). Sem atrito com os trilhos, eles podem atingir velocidades excepcionais.

O experimento utilizou não um trem, mas um carrinho de testes pesando mais de uma tonelada, que disparou por uma pista de 400 m de trilhos magnéticos. O feito foi reportado pela estatal chinesa CCTV, e pode ser visto no vídeo abaixo.

Maglev acelera de 0 a 700 km/h na China | CCTV / Reprodução / Domínio Púlbico / evdrops

O feito não vem de uma startup, mas do coração do complexo militar-industrial chinês. A NUDT é uma das instituições mais prestigiadas e estratégicas da China, subordinada diretamente à Comissão Militar Central.

Conhecida por desenvolver os supercomputadores Tianhe (que já lideraram o ranking mundial), a universidade dedicou mais de uma década especificamente a esse projeto de maglev. O foco da pesquisa foi superar gargalos em propulsão eletromagnética de ultra-alta velocidade e inversores de armazenamento de energia de alta potência — tecnologias que podem ter uso tanto civil quanto militar.

O uso militar no caso seria a possibilidade de lançar objetos (como mísseis) ao espaço usando apenas eletricidade. Não o caminho inteiro, mas servir como um primeiro estágio, lançando o veículo à alta atmosfera para que possa ativar então seus foguetes em condições ideais.

Daria para sobreviver?

Quanto ao uso civil, não seria exatamente um passeio agradável. A aceleração demonstrada no teste é mais do que o dobro do que astronautas costumam ter que aguentar (geralmente até 4G, ou quatro vezes a força da gravidade). Sair o zero para 700 km/h em 2 segundos resulta em uma força de aproximadamente 10 G .

O que isso significa: Uma pessoa de 70 kg sentiria como se pesasse 700 kg sendo esmagada contra o assento. E seus órgãos internos também teriam seu peso multiplicado por 10.

Você poderia sobreviver a isso… talvez. Pilotos de caça com trajes anti-G suportam até 9G por curtos períodos antes de perderem a consciência (G-LOC) – eles usam de trajes especiais para isso, que comprimem o corpo para evitar que o sangue pare de chegar à cabeça, causando a inconsciência.

Esse traje foi desenvolvido a partir de experimentos realizados para medir a resistência do corpo humano à aceleração. E é por eles que sabemos que 10 G podem ser possíveis de sobreviver por pessoas treinadas, em condições ideais, e em curto período de tempo.

Em 10 de dezembro de 1954, o pesquisador militar americano Coronel John Stapp, da Força Aérea dos EUA, acelerou a 1017 km/h num carrinho com foguete, similar ao usado no teste chinês. Experimentou então uma força de 45,4 G na horizontal. Ele disse que sentiu uma dor como um molar sendo arrancado sem anestesia, mas não teve maiores problemas nesse dia,

Contou a experiência. Em testes anteriores, Stapp, já havia quebrado o pulso e costelas, e ficado temporariamente cego por deslocamento de retina.

A China (que aliás está tentando limitar a aceleração dos carros elétricos), tem a única linha operacional de maglev de alta velocidade (o Transrapid de Xangai), inaugurada em 2003. O feito reforça sua liderança no segmento.

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