
O governo brasileiro está em missão na China com um alvo claro: a CATL (Contemporary Amperex Technology Co. Limited), a maior fabricante de baterias do mundo. inistro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, reuniu-se nesta quarta-feira (21) com LB Tan, vice-presidente sênior e diretor de clientes da gigante chinesa, para discutir uma parceria estratégica que pode mudar a infraestrutura elétrica nacional.
O objetivo imediato é garantir tecnologia de ponta para o Leilão de Reserva de Capacidade, previsto para ocorrer em abril deste ano. Esse será o primeiro leilão do Brasil a contratar especificamente sistemas de armazenamento por baterias (BESS), uma tecnologia vital para estabilizar a rede elétrica diante do crescimento das fontes renováveis intermitentes (solar e eólica) – os BESS armazenam a energia para quando o vento ou o sol não estão em condições ideais (de noite, por exemplo).
Por que isso interessa para carros elétricos?
A CATL detém cerca de 37% do mercado global de baterias para veículos elétricos e sistemas de armazenamento. Isso significa que uma em três baterias é CATL. Ano passado, as empresa já estava falando em se instalar no Brasil.
O tema da visita é adquirir grandes baterias estacionárias, mas tem valor altamente estratégico para a produção nacional de veículos (não só carros) elétricos. Isso porque a pretensão do governo brasileiro é muito maior do que simplesmente adquirir baterias para geradores.

A negociação envolve uma troca estratégica. O Brasil possui vastas reservas de minerais críticos (como lítio e terras raras), essenciais para a produção de baterias. O governo brasileiro sinalizou a utilização do Fundo de Investimento em Minerais Críticos para apoiar projetos que tragam valor agregado ao país.
“Nosso governo tem atuado de forma estratégica para promover a agregação de valor no Brasil, superando o modelo baseado apenas na exportação de matéria-prima”, afirmou Silveira. Segundo ele, a diretriz é internalizar etapas relevantes da cadeia produtiva, incluindo a atração de investimentos para a fabricação de componentes e baterias, fortalecendo a indústria nacional e ampliando a geração de empregos qualificados.
Fabricar baterias no Brasil seria uma parte crítica para que, por exemplo, os veículos elétricos nacionais deixem de ser importados desmontados e passem a contar com benefícios como o da Lei do Carro Sustentável.
A cadeia de produção de baterias é uma das maiores vantagens estratégicas da China – um fato reconhecido por concorrentes como Emanuele Cappellano, líder da Stellantis na Europa, que diz que não é possível europeus concorrerem com os chineses atualmente sem apoio do governo.
O ministro Alexandre Silveira destacou a necessidade de trazer essa expertise para o solo brasileiro, não apenas importando produtos, mas atraindo investimento industrial.