
A espera acabou: depois de muitos contratempos por conta de um desastre que arrasou uma fábrica de motores, e colocou empregos em risco, a Toyota do Brasil oficializou nesta terça-feira (27) o início da produção do Yaris Cross em Sorocaba (SP). Isso marca a estreia da montadora no segmento mais disputado do mercado nacional: o de SUVs compactos (B-SUV).
O modelo chega às concessionárias imediatamente como o primeiro SUV compacto híbrido flex (HEV) produzido no país, posicionando-se abaixo do Corolla Cross para competir num volume de vendas maior.
Diferente de sistemas híbridos-leves (MHEV) que apenas auxiliam o motor a combustão, a Toyota enfatiza que o Yaris Cross utiliza um sistema “híbrido flex full”. Na concepção da Toyota, o “full” é porque o motor elétrico tem capacidade de tracionar diretamente as rodas de forma independente, trabalhando em conjunto com o motor a combustão flex e fazendo uso da bateria*, com sua capacidade de frenagem regenerativa, para dar mais eficiência energética ao conjunto. Isso permite ao veículo um rendimento de até 17,9 km/l de gasolina na estrada (ou 10,2 de etanol).
O lançamento é o primeiro fruto do ciclo de investimentos de R$ 11,5 bilhões anunciado pela Toyota para até 2030. A produção local não visa apenas o Brasil; a fábrica de Sorocaba servirá como polo de exportação para a Argentina, Equador e Uruguai, reforçando o papel da unidade na estratégia latino-americana da marca.
“Estamos diante de um momento único na trajetória de quase 70 anos da Toyota no Brasil e na América Latina. A chegada do Yaris Cross representa nossa evolução tecnológica e compromisso com a qualidade e com uma mobilidade mais sustentável e eficiente”, afirma Evandro Maggio, presidente da Toyota do Brasil.
Para atrair o consumidor ainda reticente com a eletrificação ou com um modelo novo, a Toyota aposta no pós-venda. O Yaris Cross já sai de fábrica com o programa “Toyota 10”, que oferece garantia estendida de até 10 anos, condicionada às revisões na rede autorizada. O modelo também estará disponível via assinatura e aluguel pela KINTO, braço de mobilidade da empresa.
O Yaris Cross já se encontra disponível para venda em toda a rede de concessionárias, pelo valor sugerido de R$ 149.990.
Sobre híbridos “plenos”
A Toyota chama as baterias de “autorecarregáveis”, falando em “descarbonização efetiva”. E aí vamos precisar deixar uma correção.
Chamar baterias de carros híbridos de autorrecarregáveis é como aquela situação dos executivos de marketing dos anos 1960 decidindo escrever na embalagem do cigarro Lucky Strike “é tostado” – quando todos os cigarros são tostados. Qualquer carro eletrificado recarrega sua bateria. Além da frenagem regenerativa, todos os modelos com motores a combustão interna recarregam sua bateria com o motor. É parte de seu funcionamento.
Parece haver uma tendência no Brasil dos fabricantes chamarem híbridos não plug-in (HEV) de “plenos” ou nomes similares, dando a entender que tem algo a mais que os híbridos plug-in (que seriam os não “plenos”), quando têm a menos. Não ”precisar” da rede elétrica é vendido como uma vantagem, quando a verdade é que nenhum híbrido precisa de rede elétrica: todos podem andar com apenas combustíveis. A diferença dos plug-in (PHEV e EREV) é que dão a opção de carregar na tomada, inexistente num HEV.
De certa forma, são os plug-ins que são mais plenamente híbridos, já que têm duas origens possíveis para sua energia. HEVs são carros movidos a combustíveis vindos do posto – mais eficientes que carros a combustão interna pura, e com diversas vantagens em sua condução, como o melhor torque elétrico. E geralmente mais baratos que elétricos puros ou híbridos plug-in porque sua bateria é mais simples.
Via Toyota do Brasil