A descarbonização do transporte não depende apenas de trocar motores a combustão por elétricos: também envolve as estradas de rodagem. A própria infraestrutura por onde esses veículos rodam — o asfalto, que é um derivado do petróleo — é uma fonte significativa de emissões e resíduos.
E, nesse ponto, elétricos chegam a pecar mais que carros convencionais, porque são mais pesados, e aumentam a pressão pela troca de asfaltamento.
Para atacar esse problema, o Departamento de Estradas de Rodagem de São Paulo (DER-SP) e a Escola Politécnica da USP (Poli-USP) inauguram nesta terça-feira (2) um polo de inovação inédito: o Centro de Ciência para o Desenvolvimento, Sustentabilidade e Inovação em Infraestrutura Rodoviária.
Com um investimento inicial de R$ 7,7 milhões da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), o novo centro terá uma missão clara: desenvolver soluções para reciclar pavimentos e aplicar materiais mais sustentáveis nos 12 mil quilômetros de rodovias administradas pelo DER-SP1.
A ideia é transformar o passivo ambiental das obras rodoviárias (o asfalto velho removido) em matéria-prima para novas pavimentações, reduzindo a extração de recursos naturais e a pegada de carbono das obras públicas.
O projeto, proposto por Sergio Codelo (presidente do DER-SP), vai mobilizar 26 pesquisadores e 42 bolsistas (entre doutorandos, mestrandos e alunos de iniciação científica) ao longo de cinco anos2.
Sob a coordenação da professora Kamilla Vasconcelos Savasini, da Poli-USP, o centro funcionará como um hub de inteligência, integrando também pesquisadores da USP São Carlos, Unicamp e órgãos federais como o DNIT3.
A inauguração oficial acontece na Cidade Universitária, em São Paulo, e marca o início de uma nova fase onde a engenharia civil se une à pauta climática para tornar as estradas paulistas mais verdes — literalmente, desde a base.