
A GM anunciou que sua Factory Zero, em Detroit (EUA), ficará parada entre 16 de março e 13 de abril deste ano. A planta possui atualmente 1.300 funcionários e já havia parado entre 27 de outubro a 24 de novembro, e realizado demissões, até chegar ao atual turno único em janeiro. É a única unidade dedicada exclusivamente a elétricos e eletrificados da GM nos EUA – no Brasil, a GM tem uma unidade no Ceará só para elétricos, mas não são realmente seus modelos, mas de parceiros chineses.
A Factory Zero foi anunciada em 2020 como uma iniciativa exclusivamente eletrificada, e passou a produzir no ano seguinte. A GM investiu US$ 2,2 bilhões dela e, na época, foi laudada como a fábrica do futuro.
A GM produz seus modelos eletrificados de grande porte nessa fábrica: o Hummer, o Cadillac Escalade, e as caminhonetes híbridas plug-in a Silverado e Sierra. Os demais modelos saem de outras plantas: p compacto Bolt é fabricado na sua fábrica em Fairfax, Kansas, o Cadillac Optiq, o Equinox e a Blazer são feitos no México e os outros eletrificados da Cadillac são feitos no Tennessee.
Baixa demanda para que?
A justificativa é a de sempre: “baixa demanda”. “A Factory Zero irá temporariamente alinhar sua produção de EVs com as demandas de mercado”, afirmou o porta-voz da GM Kevin Kelly à Automotive News. “Os funcionários impactados serão colocados em dispensa temporária e podem ser elegíveis para pagamento parcial e benefícios de acordo com o contrato nacional GM-UAW”.
A crise dos EVs nos EUA tem como causa mais óbvia o fim do subsídio de US$ 7.500, parte da Big Beautiful Bill do governo Trump, que aconteceu em outubro passado. Mas há também a percepção de um erro de estratégia mais amplo, que foi investir em veículos extremamente caros e luxuosos.
Isso é notável na estratégia da concorrente Ford, que está recriado do zero sua plataforma elétrica para atingir preços mais competitivos. Os modelos da Factory Zero todos se encaixam nesse perfil: luxo e grande porte.
Com o fim, na prática, de qualquer regulamentação de emissões nos EUA, os fabricantes se movem na direção oposta, que é onde o dinheiro parece estar no curto prazo. A GM está aumentando a produção de picapes a gasolina em Flint, Michigan, criando um turno adicional.
Mas o longo prazo não foi abandonado, e eles têm noção da ameaça dos chineses. Em janeiro, Mary Barra, a CEO da GM, havia falado que, mesmo com os reveses do momento, no longo prazo, o plano ainda é a eletrificação total.
Kevin Kelly falou à AN algo na mesma linha, pondo em contexto a atual crise: “Espero que possamos nos recuperar, especialmente quando os preços de combustíveis estão aumentando. Acredito que EVs são o futuro.”
Futuro nos serviços?
Ao mesmo tempo, a marca falou, também à Automotive News, sobre seus planos de negócios para serviços por assinatura: o OnStar e o Super Cruise.
O OnStar é uma plataforma com múltiplas funções, como acesso remoto ao veículo, Wi-Fi interna, streaming de câmeras, navegação e planejamento de rotas, e serviços como assistência contra roubo. Já o Super Cruise é o piloto automático da GM, que funciona de forma similar ao Full Self Driving da Tesla. Por enquanto, ele exige a presença do motorista por trás do volante.
A GM afirma que faturou US$ 2,7 bilhões em 2025, mais US$ 5,4 bilhões em lucros futuros em contratos fechados. A empresa espera aumentar esses números para US$ 3,1 bi e US$ 7,5 bi, respectivamente.