
O governo dos EUA anunciou ontem que está revogando uma regra da Agência Proteção Ambiental (EPA), que determinava que seis gases estufa são classificados como poluentes perigosos para a saúde humana. A regra, chamada Endargerment Finding (“descoberta de risco [para a saúde]”) foi publicada em 2009, no primeiro ano do primeiro mandato de Obama, e havia mobilizado a indústria a diversas ações de redução de emissões, como o investimento em eletrificação.
Trump afirmou ao promulgar a decisão que isso fará os custos dos carros a “desabar” a que a ação irá economizar, US$ 1,3 trilhão em compliance para a indústria, na forma de “custos reduzidos para novos veículos e custos evitados na compra de equipamentos relacionados a veículos elétricos”.
“A decisão final da EPA d’O Trump* desmonta as táticas e ficções legais usadas pelas administrações Biden e Obama para forçar suas agendas ideológicas no povo americano”, afirma o comunicado oficial da agência.
(Sim, a agência se refere a si própria diversas vezes no documento como “The Trump EPA”, a “EPA d’O Trump”. Outro trecho: “A EPA d’O Trump sempre opta pela escolha do consumidor versus manter a pose para fanáticos por mudança climática”.)
Descontrole por opção
Com a revogação da lei, o governo federal dos EUA basicamente se torna incapaz de determinar padrões de emissões para qualquer veículo, já que gases estufa não são mais considerados nocivos à saúde, diferente de poluentes locais, que ainda são regulados.
O governador da Califórnia, Gavin Newson (do Partido Democrata de Obama e Biden, oposição a Trump), afirmou que “se essa decisão irresponsável sobreviver à contestação legal, irá levar a mais incêndios florestais letais, mais mortes por calor extremo, mais secas e enchentes movidas pelo clima”.
A Califórnia e 20 outros estados não controlados pelo Partido Republicano de Trump devem processar o governo federal para poder manter seus controles de emissões. Newson está trabalhando em um substituto local para os subsídios a veículos elétricos, que foram encerrados pelo governo federal em outubro passado.
A Aliança para a Inovação Automotiva – o lobby dos fabricantes tradicionais – não apoiou explicitamente a decisão, mas afirmou que os padrões da gestão Biden eram “extremamente desafiadores para os fabricantes atingirem com a demanda atual do mercado”. Ainda que o lobby não seja tão explícito em apoiar a lei, vários de seus membros apoiam a iniciativa do governo Trump de contestar o direito aos estados de criar seus próprios padrões de emissões.
A decisão vem na mesma semana em que o Departamento de Transporte (d’O Trump?) determinou que, para financiar infraestrutura de eletrificação, ela deveria ser 100% feita nos EUA – regra à qual nenhum produto existente é capaz de se adequar, na prática encerrando o financiamento do governo à infraestrutura de eletrificação, conforme determinado pelo Congresso no mandato anterior.
Via Automotive World, The Drive, Environmental Protection Agency