Incêndio em carro elétrico no Rio Grande do Sul parece ter vindo de gambiarra, não bateria

Ainda falta o laudo dos bombeiros, mas aparentemente a causa foi uma baita gambiarra feita pelo proprietário
Atualizado: 21 de outubro de 2025 04:10
Dolphin Mini pegando fogo em Santa Maria, Rio Grande do Sul
Dolphin mini em chamas em Santa Maria | Reprodução

Um incidente de incêndio ocorreu no último domingo em Santa Maria (RS). Em vídeo que circulou pelas redes, um BYD Dolphin Mini aparece em chamas enquanto uma pessoa usa primeiro um balde, depois um extintor de incêndio para tentar controlar o fogo. Segundo relatos locais, o fogo foi encerrado rapidamente com a presença do Corpo de Bombeiros.

Não há ainda um relatório da perícia, mas o incêndio parece não ter afetado o núcleo da bateria. Esses são incêndios bem mais complexos e perigosos. No lugar disso, segundo análise preliminar do Corpo de Bombeiros, o fogo teria sido causado por uma recarga improvisada – uma extensão saindo do prédio do segundo andar (o apartamento do dono, é de se supor), com um carregador portátil não oficial deixado em cima do banco do carro. O carregador teria superaquecido e pegado fogo dentro do carro, incendiando seu interior, mas não afetando a bateria.

Mais que um alerta sobre os riscos de veículos elétricos (eles existem e já vamos falar deles), é mais um alerta sobre gambiarras. E um pouco também da falta de infraestrutura, que levou ao dono à “solução” completamente precária de carregamento. Fabricantes recomendam usar apenas equipamentos oficiais (como Wallboxes, mas também o carregador de tomada oficial) e deixá-los em ambiente aberto.

Incêndio em carro elétrico: quão comum é?

Esse não foi um temido incêndio da bateria de íon de lítio, mas é a oportunidade de falar sobre esse risco. Ainda que incêndios de bateria sejam de fato complexos e perigosos, eles são muito menos comuns que os incêndios de combustível líquido com que todo mundo é familiar.

Bem menos comuns, aliás. Segundo alguns levantamentos, até 83 vezes menos comuns.

Esse e o número levantado em 2024 pela seguradora AutoInsuranceEZ a partir de dados do National Transportation Safety Board (NTSB, “Conselho Nacional de Segurança nos Transportes”) e Bureau of Transportation Statistics (“Secretaria de Estatísticas do Trasnporte”) dos Estados Unidos. Segundo seus especialistas, que a cada 100 mil carros elétricos puros (BEVs) vendidos nos EUA, 25 incêndios aconteceram, enquanto que, para carros a combustão interna, foram 1529,9 por 100 mil. Híbridos são a categoria que se saiu pior, com 3.475 incêndios por 100 mil – o que é compreensível: eles têm o motor e o tanque como um carro a combustão interna, mais o conjunto de alta voltagem e bateria dos EVs. O estudo é claro a respeito dos riscos dos EVs e pode ser lido aqui.

O ICCT (International Council of ) também compilou estatísticas e menciona outros números. Segundo o Conselho, na Suécia, um estudo revelou que elétricos e híbridos plug-in tinham 29 vezes menos chances de pegar fogo que um carro a combustão interna. Na Noruega, que é o país mais eletrificado do mundo, outro estudo revelou 3,8 incêndios em elétricos por 100 mil versus 68 no total geral – uma diferença de 17 vezes em favor dos elétricos. Um relatório da EV FireSafe, empresa patrocinada pelo governo da Austrália, indica que a chance de uma bateria de carro elétrico de passageiros pegar fogo é de apenas 0,0012%, em contraste com 0,1% para veículos a combustão (aqui, a diferença é de quase 83 vezes em favor dos elétricos).

Enfim, fogos de bateria são um pouco como acidentes de aviões: são graves quando acontecem, mas menos comuns que nos carros convencionais. Todo carro tem chance de causar tragédias com incêndios, mas os elétricos, até onde os números indicam, bem menos.

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