O Japão recebeu seu primeiro rebocador movido a hidrogênio: o Ten-Oh (tentativa muito arriscada de tradução: ten significa “céu” e oh significa “rei” – o imperador do Japão é referido como Tennō, o rei celestial). O barco foi co-desenvolvido pela JPNH2YDRO (uma parceria entre o Tsuneishi Group e a CMB.tech).
A nova embarcação é mais um exemplo dos investimentos no hidrogênio aplicado ao transporte marítimo pesado, e não é um veículo elétrico usando célula de combustível. Seu motor é a combustão interna, gerando mais de 4.400 cv de potência – o que é acima da média para um rebocador portuário, que fica entre 680 a 3400 cv.
Na verdade, o Ten-Oh é um híbrido. Ele pode usar tanto hidrogênio quanto combustível marítimo convencional em seu sistema de propulsão. A embarcação tem a capacidade de armazenar até 250 kg de hidrogênio gasoso em um sistema de combustível de alta pressão para alimentar seus motores V12.
O sistema de duplo combustível é considerado uma jogada para combater o ceticismo e garantir a continuidade operacional e a segurança. Se o hidrogênio acabar ou houver uma falha no sistema, o rebocador pode alternar automaticamente e sem problemas para operar como um rebocador convencional.
Um rebocador é um barco feito para arrastar navios. Seu trabalho mais comum é puxar navios em portos e canais, em baixa profundidade, quando usar a propulsão normal do navio seria arriscado. Com esse trabalho extremamente pesado, um rebocador é caracterizado pela potência desproporcional ao seu tamanho.
O Ten-Oh faz da adoção do hidrogênio como proposta para descarbonização portuária. Este movimento segue o pioneirismo de embarcações como o Hydrotug 1, implantado ano passado no Porto de Antuérpia, na Bélgica, que detém o título de primeiro rebocador movido a hidrogênio do mundo.
Os rebocadores podem ser um passo na adoção do hidrogênio marítimo, porque operam em rotas previsíveis e em proximidade com a infraestrutura de abastecimento. Se eles fizerem sucesso, isso pode levar à adoção da tecnologia em navios maiores.