
A revista Quatro Rodas ouviu consumidores e apurou que, aparentemente, ninguém consegue mais comprar o Renault Kwid E-Tech, o elétrico mais barato do Brasil, que parece ter sido, para todos os fins práticos, cancelado.
Segundo as pessoas ouvidas, os funcionários das concessionárias simplesmente afirmam que o estoque acabou, às vezes há meses, e sem previsão de chegada de mais exemplares ou uma explicação da matriz.
A Quatro Rodas procurou por concessionárias nos estados de Amazonas, Bahia, Pernambuco, Piauí, São Paulo e Santa Catarina, e só conseguiu achar o carro no último, mas ainda assim as unidades já estavam reservadas.
Ainda segundo a apuração da Quatro Rodas, clientes ouviram de vendedores que a Renault estava aposentando o Kwid para dar espaço para o Geely EX2 – modelo que, aliás, esgotou recentemente nas concessionárias, mas recebeu novos lotes.
Parceria com a Geely
A Geely é dona de 26,4% da operação brasileira da Renault, e irá produzir seus modelos em sua fábrica no Paraná. Hoje mesmo, a Geely anunciou a chegada de um carregamento de EX5 EM-i, um SUV híbrido plug-in, a ser distribuído com ajuda logística da Renault.
O Kwid E-Tech é (ou era) o único elétrico do Brasil disponível a menos de R$ 100.000 para pessoas físicas comuns, vendido a exatamente R$ 99.990. O Dolphin Mini pode sair por menos do que isso em vendas diretas, que só podem acontecer para PCDs, produtores rurais e pessoas jurídicas.
O modelo ganhou uma reestilização no ano passado, mas, segundo a Quatro Rodas, apenas um lote chegou ao Brasil, e foi antes da formalização do acordo entre a Renault e Geely.
Dados da ABVE indicam apenas 136 unidades vendidas em 2026, entre janeiro e fevereiro. Ainda segundo a ABVE, as vendas do Kwid elétrico não ultrapassaram 4 mil exemplares desde que foram iniciadas em 2022. Isso é menos do que a BYD vendeu do seu Dolphin Mini só em fevereiro passado.
Excesso de simplicidade?
O Kwid E-Tech é na verdade um modelo chinês: seu nome original é City K-ZE, e é fabricado em Shiyang, Hubei, em uma joint venture com a Dongfeng. Na Europa, é vendido como Dacia Spring.
As razões por que o preço não falou mais alto ficam a ser estudadas, mas o Dolphin Mini tem um pacote mais forte: é maior, mais potente (75 vs 65 cv), tem mais bateria (38.8 kWh vs 26.8 kWh) e, com ela, um alcance 100 km superior (280 vs 180 km pelo Inmetro). O público parece ter preferido gastar mais para ter as vantagens de um modelo mais sofisticado.
Com suas especificações mais generosas, o Dolphin Mini compete com modelos de entrada intermediários, enquanto o Kwid E-Tech não parece ter achado um lugar entre os mais baratos de todos – que, com os subsídios do governo federal que não se aplicam a elétricos importados como ele, podem sair por R$ 30 mil a menos.
O evdrops consultou a Renault, e obteve uma resposta: “O Kwid E-Tech segue à venda. Estamos vendo que está faltando produto e hoje não tem previsão de um novo lote.”
Essa falta de novo lote contrasta com a Geely, que prontamente respondeu dizendo que estavam normalizando a distribuição com mais lotes quando perguntada por nós sobre o EX2 se esgotando. Então as chances de a Quatro Rodas estar certa são consideráveis e o Kwid morre sem estrondo nem gemido. Mas não é impossível uma surpresa pela parte da Renault.
Via Quatro Rodas