
A BYD lançou nesta quarta-feira (28) a versão 5.0 do seu sistema de condução assistida, batizado de “God’s Eye” (Olho de Deus).
A atualização marca uma mudança fundamental na arquitetura do sistema: a BYD está a abandonar as estratégias baseadas em regras fixas de programação (o tradicional “se acontecer X, faça Y”) para adotar modelos de IA “End-to-End” (de ponta a ponta) e aprendizagem por reforço.
A grande vantagem da BYD nessa corrida não é apenas o algoritmo, mas o volume de dados. A empresa revelou que já possui 2,3 milhões de veículos equipados com alguma versão do hardware “God’s Eye” rodando na China.
Essa frota gera, coletivamente, mais de 160 milhões de quilômetros de dados de condução por dia. É esse mundo de informações que alimenta e treina os novos modelos de IA, permitindo que o sistema aprenda com cenários reais complexos que seriam impossíveis de programar manualmente.
O que muda na prática?
Segundo a BYD, o God’s Eye 5.0 utiliza um fluxo de trabalho em circuito fechado onde a percepção e a execução são tratadas por grandes modelos de IA. As melhorias imediatas incluem:
- Segurança em Cenários Críticos: Atualizações nas funções de direção automática de emergência e frenagem (AEB), agora capazes de responder melhor a veículos parados, pedestres e crianças, mesmo em condições de baixa visibilidade como túneis.
- Hardware Escalável: O sistema combina câmaras, radares de ondas milimétricas e sensores ultrassónicos. A BYD reforçou que a disponibilidade das funções depende do hardware do carro, mas a arquitetura de software permite atualizações via OTA (Over-the-Air) para diferentes níveis de equipamento.
Esse movimento coloca a BYD na mesma trajetória tecnológica da Tesla (com o FSD v12) e da Huawei (ADS 3.0), que também migraram para redes neurais de ponta a ponta.
Até agora, a BYD dependia de parceiros ou de sistemas mais simples (anteriormente sob a insígnia DiPilot) para as suas funções de ADAS. Com o God’s Eye 5.0 e a internalização do desenvolvimento, a gigante chinesa sinaliza que quer dominar o software com a mesma verticalização que aplicou às baterias.
Ainda não há confirmação de quando estas funcionalidades específicas chegarão aos modelos vendidos ou fabricados no Brasil, que atualmente utilizam uma versão mais simplificada do pacote DiPilot. Acionada, a BYD não respondeu em tempo até o fechamento desta matéria – atualizaremos quando tivermos a resposta.
Via: CarNewsChina