Em uma apresentação ontem, a Ford publicou mais detalhes de sua Ford Universal Platform, que deve estrear numa caminhonete. O plano é conseguir criar uma caminhonete média por US$ 30 mil (~R$ 157 mil), o que é cerca de US$ 20 mil a menos que o modelo mais barato da finada F-150 Lightning, e também US$ 20 mil que o veículo pessoal médio vendido nos EUA (incluindo caminhonetes de cabine dupla).
Anteriormente, vazamentos indicaram que o modelo iria se chamar Maverick, e a silhueta apresentada pela Ford originalmente lembrava bastante o modelo.

Mas isso acaba de mudar e esse nome soa menos provável com um veículo tão diferente. Na apresentação, a Ford mostrou uma caminhonete coberta (ao estilo Cybertruck) para ter uma figura aerodinâmica em forma de gota, direcionando o fluxo do ar sobre a caçamba. Isso lembra o anúncio original, na qual falou que faria uma “picape que não parece picape”.

Além disso, também em nome da aerodinâmica, ela terá uma base lisa sob o chassi e espelhos laterais 20% menores – com o espelho em si mantendo o mesmo tamanho, mas removendo mecanismos internos de ajuste, movendo o conjunto inteiro para ajustar o espelho. A posição dos pneus também é feita para permitir que o vácuo do pneu dianteiro seja aproveitado pelo traseiro.
Segundo a Ford, essa vantagem aerodinâmica torna o modelo 15% mais aerodinamicamente eficiente que qualquer caminhonete atual. Isso irá permitir a ele economizar 15% em bateria, ter 30% a mais de velocidade na estrada e ter 50 milhas (80 quilômetros) a mais de alcance, mesmo com uma bateria menor que a usada anteriormente.
Ainda que uma caminhonete coberta soe contraditório – e o Cybertruck não foi exatamente um sucesso – como elas são na maior parte do tempo usadas como veículos pessoais nos EUA, faz sentido tratá-las primariamente como um carro e sacrificar essa vantagem aerodinâmica com uma capota removível nos raros momentos de carregar grandes volumes na caçamba.
Astronautas e caçadores de recomepensas
Outra vantagem é a química das baterias adotada pela montadora. A bateria de lítio-ferro-fosfato dispensa cobalto e níquel, dois metais caros, para reduzir o preço e complexidade logística.
Uma inovação já era conhecida: como a Volvo e a Tesla, a Ford está adotando o modelo de fundição de peças unificadas. Ainda que custem mais individualmente (segundo o próprio anúncio) acabam gerando economia pela simplificação da montagem e redução no peso. Segundo a apresentação, onde a Maverick usava 146 peças, a nova caminhonete usará duas.
Segundo a Ford, o novo projeto foi estabelecido na forma de um sistema de recompensas – ou mais precisamente, “bounties”, que são recompensas para caçar um criminoso, como caçadores de recompensas do Velho Oeste. Cada pequeno avanço (ser um milímetro mais baixo, num exemplo citado), é um “criminoso” pego. A empresa não falou em dar prêmios a seus funcionários, ainda que fique implícito no próprio conceito.
A Ford Universal Plataform é a grande aposta da montadora para o futuro, e explica parcialmente seus passos atrás dados em eletrificação, como o fim da F-150 Lightning, que era a caminhonete elétrica mais vendida nos EUA, mas não satisfazia ao fabricante na questão de lucros. A iniciativa foi comparada por seu CEO com o “Programa Apollo” – como na primeira viagem para a Lua, a aposta é altíssima e nada pode dar errado.
Via Ford