Por incidente durante a construção da fábrica, BYD entra na “Lista Suja” de trabalho escravo do governo federal

Em 2024, 163 trabalhadores chineses em condições análogas à escravidão foram encontrados na obra da construção da fábrica; marca já havia feito um acordo de indenização
Atualizado: 8 de abril de 2026 10:04
Fábrica da BYD em Camaçari
Fábrica da BYD em Camaçari, antes da inauguração | BYD / Divulgação

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) publicou hoje a sua “Lista Suja” do trabalho escravo. A BYD Auto do Brasil Ltda. foi incluída nela, oficialmente o “Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à de escravo”.

A inclusão foi por conta do caso na construção da fábrica em Camaçari (BA). Em 16 de dezembro de 2024, 473 trabalhadores chineses trazidos de forma irregular foram identificados, e 163 deles foram resgatados de condições consideradas análogas à escravidão, em alojamentos mal-equipados, com camas sem colchão, perfazendo jornadas abusivas, em más condições de segurança, e tendo seus movimentos controlados por equipes de segurança.

Os trabalhadores foram entrevistados pelo MTE e a BYD foi autuada em junho de 2025. Em sua defesa, ela afirmou que os trabalhadores vieram por empreiteiras chinesas terceirizadas, mas o ministério não aceitou a justificativa, considerando que eles estavam numa posição de subordinados da montadora, respondendo diretamente à sua equipe.

Acordo em ação coletiva

Em dezembro do ano passado, a BYD, junto com as empreiteiras China JinJiang Construction Brazil Ltda. e Tecmonta Equipamentos Inteligentes Brasil Co. Ltd, fechou um acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT), prevendo o pagamento de R$ 40 milhões, sendo R$ 20 milhões deles dedicados ao pagamentos de danos morais aos trabalhadores afetados. A ação foi movida pelo Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil de Camaçari (SINDTICCC) e a BYD terminou como avalista, com a multa sendo paga pelas duas empreiteiras, e ela assumindo a obrigação caso essas não paguem.

Empresas na Lista Suja permanecem nela por dois anos, salvo renovação. Ainda que isso não tenha consequências legais diretas – essas vêm pelos processos como ao que a BYD e as empreiteiras responderam por trabalho escravo – estar na lista significa que muitas instituições ficam restritas de fazer negócios com a BYD. Uma delas é o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que, entre 2023 e 2025, concedeu US$ 11,9 bilhões em empréstimos ao setor automotivo. Outras empresas com regras de compliance também podem vetar a BYD por conta da inclusão.

A BYD ainda não se pronunciou sobre a inclusão, mas é quase certo que o caso irá gerar polêmica. A inclusão acontece após o acordo, no momento em que a marca atinge o seu auge da popularidade no Brasil.

Via Ministério do Trabalho e Emprego

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