Senador dos EUA chama carros chineses de “câncer” e propõe banimento mundial

Bernie Moreno propõe um banimento definitivo em seu país e falou que outros países devem fazer “quimioterapia” contra o "câncer" chinês
Atualizado: 2 de abril de 2026 01:04
O senador Bernie Moreno do Partido Republicano dos EUA
Bernie Moreno | Bernie Moreno / CC-BY-SA 2.0

O senador Bernie Moreno, do Partido Republicano (o mesmo do presidente Donald Trump), afirmou na última terça-feira, num evento de abertura do Salão do Automóvel de Nova York, que pretende criar um projeto de lei para tornar ainda mais absolutas as barreiras para fabricantes chineses no mercado dos EUA. Também afirmou que irá incentivar outros países a fazerem o mesmo.

A atual regulamentação, que já bane os chineses na prática, não é uma criação da Era Trump: foi um dos atos finais de Joe Biden, do Partido Democrata, em janeiro de 2025, citando questões de segurança nacional e falando da possibilidade de os carros chineses coletarem dados de motoristas dos EUA. Essa regulamentação proíbe a importação de carros para os EUA que usem certos componentes de software e hardware – como os processadores e o sistema ADAS – de empresas ligadas à China e Rússia. Na prática, é o que impede os chineses de entrarem hoje em dia.

Essa regulamentação, de acordo com o reportado pela agência Reuters, teve apoio das associações de fabricantes dos EUA.

Trump impôs um tarifaço de 100% à China, que vedou de vez a entrada. Mas, em janeiro, num evento em Detroit, chegou a afirmar que seria favorável à entrada dos chineses se construíssem suas fábricas nos EUA. Em reação, essas entidades se manifestaram de forma mais incisiva, enviando uma carta ao presidente rogando que não faça acordos em sua visita à China, marcada para o fim deste mês.

Barreiras absolutas, para o mundo todo

Moreno, nessa linha, está propondo uma legislação ainda mais radical, banindo incondicionalmente importações, parcerias ou a instalação de fabricantes chineses no país.

“Nunca haverá nenhum cenário em que um carro chinês entre no nosso mercado, seja em hardware, software ou parcerias”, afirmou o senador. “Não vai haver um único carro chinês aqui. E espero que na América Latina, México [sic], Canadá e Europa adotem as mesmas medidas imediatamente. Nós vamos impedir esse câncer de entrar em nosso mercado, e vamos precisar que outros países façam quimioterapia”

A embaixada chinesa em Washington afirmou que a porta do país está aberta para empresas automotivas globais, mas que os EUA estão “engajados em políticas protecionistas que impõem obstáculos incluindo subsídios discriminatórios para impedir o acesso de carros feitos na China ao mercado americano”. A legislação proposta “viola os princípios da economia de mercado e competição justa, e é um protecionismo típico e coerção econômica. A China firmemente se opõe a isso”.

Nosso take

O atual governo dos EUA não é exatamente sutil em manifestar suas “recomendações” a países que considera em sua órbita – e isso inclui o Brasil. Se a lei for aprovada, é bom o Brasil se preparar para a pressão pesada na forma de tarifaços e outras ameaças. Mas Donald Trump já demonstrou várias vezes ser volúvel e mudar de opinião de acordo com a maré do momento. Não é impossível que, em sua visita à China, acabe trazendo uma ou duas surpresas – como quando abrandou o tarifaço contra o Brasil.

Via Reuters

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