
Quando, na CES deste ano, a desconhecida fabricante finlandesa Verge Motorcycles afirmou que não apenas havia desenvolvido baterias em estado sólido, como elas já estavam à venda na sua moto TS Ultra, e seriam entregues em março, ela roubou a cena. Seria o primeiro veículo com baterias em estado sólido da história.
E imediatamente levantou a suspeita de que seria bom demais para ser verdade. Afinal, é uma longa promessa da indústria, com jogadores muito maiores que uma marca obscura da Finlândia ainda devendo a entrega. A promessa acabou comparada ao vaporware, quando um software como um game é prometido por um desenvolvedor, mas acaba nunca sendo entregue.
Segundo reportagem do jornal finlandês Kauppalehti, o site da empresa foi atualizado e a data de entrega, antes prevista para o primeiro trimestre, saltou para o quarto trimestre. Confrontado com a mudança, o CEO da Verge, Tuomo Lehtimäki, confirmou o adiamento ao jornal, citando o esgotamento da produção e processos de homologação. “As encomendas atuais estendem-se até 2027. Em alguns países, o prazo de entrega é mais curto, como na Finlândia e na Estônia. Nesses mercados, as entregas ainda podem ocorrer até o final de 2026.”
Excesso de sucesso?
Isto é: quem não é desses dois países bálticos não vai ver sua moto nem nesse ano. E essa é a promessa da própria empresa.
A Verge afirma que aguarda a homologação de seu veículo em vários países para iniciar as entregas aos clientes, um processo burocrático que pode levar mais de um ano, dependendo do lugar.
A decepção é grande porque a tecnologia prometida pela Verge era, no papel, revolucionária. A moto utiliza baterias da sua subsidiária Donut Lab, que dispensam o eletrólito líquido inflamável das baterias de lítio comuns.
As especificações anunciadas na CES incluíam uma autonomia de 600 km, carregamento de 300 km em 10 minutos, e um motor de 201 cv. Também seria capaz de carregar 100 mil vezes sem deterioração significativa. E teria, com 400 kWh/kg, o dobro da densidade das melhores baterias de hoje em dia.
Como uma startup de motos da Finlândia seria capaz de conseguir o que os maiores fabricantes do mundo ainda não conseguiram? Isso está (ou estava, se for mesmo vapor) para se ver. Detalhes da construção foram tratados pela Donut Labs, a subsidiária da Verge responsável pela bateria, como segredos industriais (faz todo sentido se é verdade).
Via: Kauppalehti