A Eve Air Mobility comemorou dois marcos na mesma semana: realizou o primeiro voo pairado (hovering) de seu protótipo de eVTOL e garantiu um empréstimo para financiar sua operação.
Subsidiária da Embraer para a criação de aeronaves elétricas urbanas, Eve testou no último fim de semana seu protótipo em tamanho real nas suas instalações em Gavião Peixoto, interior de São Paulo. Foi a primeira vez que o modelo saiu do chão e então foi testada a integração de sistemas de controle fly-by wire e o controle de potência dos motores.
O momento foi registrado no vídeo abaixo:
A Eve diz que múltiplos testes se seguirão a esse primeiro, e afirma que irá produzir mais seis protótipos para isso.
Crucialmente, deve ainda este ano testar a mudança no modo de voo de vertical para o horizontal, aquilo que diferencia as aeronaves VTOL de aviões ou helicópteros.
VTOLs (com ou sem e, que indica a motorização elétrica) decolam na vertical como helicópteros, mas transicionam para um voo horizontal como o dos aviões. Isso os permite ter a decolagem vertical e capacidade de pairar (hover, no jargão aeronáutico) dos helicópteros, com a maior agilidade horizontal dos aviões. Alguns modelos fazem isso girando os seus rotores para atuarem como hélices horizontais (caso do V-22 Osprey das forças armadas dos EUA). O protótipo da Eve se move horizontalmente com uma hélice propulsora na traseira.
“Hoje, a Eve voou”, afirmou Johann Bordais, o CEO da empresa. “Esse é um marco histórico para nossos funcionários, clientes e para todo o ecossistema. Fomos capazes de capturar dados de alta fidelidade que irão nos permitir avançar com confiança e segurança no caminho da certificação.”
Não, eVTOL não é “carro voador”
A imprensa brasileira insiste em chamar eVTOLs de “carros voadores“, seguindo o marketing de algumas empresas, e estamos arriscando o algoritmo ao não usar esse termo. Mas a verdade é que VTOL não tem absolutamente nada de carro.
Você nunca vai sair com um desses de sua garagem, usando sua habilitação de motorista – os modelos tripulados, como o da Eve, vão exigir uma certificação aérea especializada (brevê). A aposta do eVTOL é criar um novo tipo de mobilidade urbana, mais sustentável, simples, rápida e barata que helicópteros. A Embraer calculou que uma viagem no eVTOL da Eve na cidade de São Paulo, rumo ao Aeroporto, pode custar o equivalente a uma viagem premium de aplicativo.
Financiamento garantido
Mostrando a confiança do mercado, dois dia após o sucesso do voo, a Eve anunciou que obteve um empréstimo para financiar as suas operações.
O empréstimo de 5 anos foi liderado por instituições como os brasileiros Itaú e Banco do Brasil, além do Citibank e do japonês Mitsubishi UFJ Financial Group. O valor é de US$ 150 milhões (~R$ 800 milhões na cotação de hoje).
Com esse novo aporte, a liquidez total da empresa atinge US$ 1,2 bilhões, posicionando-a como uma das empresas mais bem capitalizadas do setor — e, como subsidiária do terceiro maior fabricante de aviões do mundo, a aposta começa a ganhar contornos cada dia mais concretos. Segundo Eduardo Couto, CFO da Eve, os recursos serão alocados diretamente para acelerar o desenvolvimento, a certificação e a comercialização do eVTOL.
A empresa acredita que conseguirá a certificação da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) e iniciar as entregas e a entrada em serviço já em 2027.