
O banimento dos motores a combustão interna na Europa, decidido pelo parlamento europeu há menos de três anos, pode mesmo estar para ser enfraquecida. Fontes da indústria ouvidas pelo jornal britânico The Times dizem que há um acordo para que a data final seja movida de 2035 para 2040.
“Eu tenho em boa atoridade que a UE vai adicionar cinco anos aos atuais 2035 e mudar a data para 2040”, afirmou o executivo Tim Tozer, desde 2018 CEO da Alizanz Partnerz e antes líder da Vauxhall, Mazda e Mitsubishi. Ainda segundo o Times, outra fonte confirmou essa informação e uma terceira adicionou que as montadoras já estão se movimentando para continuar com linhas a combustão interna que estavam nos planos ser descontinuadas.
O Times prossegue questionando a discussão em andamento no Reino Unido, sob um mandato de centro-esquerda (trabalhistas) em criarem sua própria data limite ainda mais cedo, em 2030.
O peso da Alemanha
A reportagem vem logo após o anúncio do governo alemão de que irá mandar uma carta à UE pedindo pela flexibilização da lei, permitindo a continuidade de híbridos plug-in e modelos a combustão interna “altamente eficientes”.
A Alemanha não só é a maior economia da União Europeia, com um PIB nominal quase 50% maior que o segundo lugar, a França, como tem a maior indústria automotiva, produzindo 35% dos veículos do bloco.
A lei que determina o banimento das vendas de veículos a combustão interna na UE foi primeiro proposta em julho de 2021 pela Comissão Europeia. Um ano depois, em 8 de junho de 2022, o Parlmento Europeu votou em favor de colocá-la em pauta, exigindo a aprovação individual dos países membros da UE. Depois de muita negociação, com a Alemanha já então se opondo, o país cedeu e a lei foi tornada oficial em 14 de fevereiro de 2023.
Desde então, o aquecimento global não deixou de existir, mas duas coisas aconteceram: 1) Trump; 2) os chineses. A Alemanha perdeu 51.500 vagas na indústria automotiva no último ano, atribuídas principalmente à queda das exportações para a China e para os EUA.
A reação contra a proposta de mudar a lei foi relativamente modesta, com a maior manifestação partindo de executivos da Volvo, propriedade da chinesa Geely. Então, salvo movimentação política dos cidadãos, ao menos algo na linha que o Times relata deve mesmo acontecer.