ABVE: emplacamentos de elétricos quase triplicam no Brasil de um ano para outro

Eletrificados subiram 146% e elétricos puros, 192% entre março de 2025 e de 2026; entidade credita o sucesso à lei dos carregadores em condomínios
Atualizado: 3 de abril de 2026 12:04
Ponte Octávio Frias de Oliveira em São Paulo, em vista aérea noturna, mostrando o trânsito
Trânsito perto da Ponte Octávio Frias de Oliveira em São Paulo | Daniel Esteves / Unsplash

Segundo dados da ABVE, março de 2026 registrou 35.356 emplacamentos de elétricos e eletrificados no Brasil – o maior número já registrado, superando o recorde anterior de dezembro de 2025, que foi de 33.905. O total cresceu 146% em relação a março de 2025 (14.380) e 42% em comparação a fevereiro. Num mês aquecido, os eletrificados representaram 14% dos veículos leves vendidos no Brasil.

Entre eles, a categoria dominante está sendo a dos elétricos puros (BEVs), com 39,8% dos emplacamentos, seguida pelos híbridos plug-in (PHEV), com 35%. Híbridos não plug-in (HEV) marcam 25,2%. 75% dos eletrificados, assim, são do tipo plug-in – podem abastecer na rede elétrica e não depender de combustíveis.

O número de BEVs merece ser notado em particular: não só a categoria abriu vantagem sobre as outras – até dezembro, ela ainda aparecia abaixo dos híbridos plug-in – como quase triplicou de um ano para outro, subindo 192% – de 4.801 para 14.073.

Uma boa parte desse sucesso é medida pela explosão de vendas de um modelo, que hoje responde por cerca de 50% das vendas de elétricos puros no Brasil. Trata-se do (um doce para quem adivinhar…) BYD Dolphin Mini. Marcando mais de 6 mil unidades em vendas no varejo em março, ele se sagrou pelo segundo mês seguido como o carro mais vendido no varejo e abriu uma vantagem de mais de mil unidades sobre o segundo lugar.

O varejo é pouco mais da metade das vendas, mas é de relevância especial porque são vendas para pessoas físicas. As vendas diretas, que ocorrem principalmente para empresas, além de PCDs e produtores rurais, são dominadas por locadoras, que têm prioridades muito diferentes das dos consumidores comuns e mantêm uma seleção limitada de modelos.

Mudanças nas leis levam à maior acessibilidade

A ABVE credita o sucesso à lei dos carregadores em São Paulo, que, ao tratar a instalação de carregadores como um direito, mudou algumas percepções sobre o futuro da tecnologia.

“Esses números exuberantes de março já refletem o ambiente de confiança renovada do mercado de eletrificados produzido por duas importantes iniciativas das autoridades do Governo de São Paulo” – afirma o presidente da ABVE, Ricardo Bastos. “A primeira foi a nova Lei 18.403, que estabeleceu o direito à recarga – ou seja, o direito de os proprietários de veículos elétricos instalarem pontos de recarga nas suas vagas nas garagens dos edifícios onde moram. (…) A segunda foi a divulgação das novas regras de segurança para a instalação desses equipamentos de recarga nas garagens.”

O estado de São Paulo, de fato, concentra 29% das vendas, seguido pelo Distrito Federal, com 8,3%. Como São Paulo tem 22% da população do Brasil, há uma desproporção favorável no estado – mas essa desproporção é bem maior no DF, que tem apenas 1,4% da população.

A ABVE não comentou sobre essa possibilidade, mas é de se considerar que, além desse avanço crucial na acessibilidade – que já está em processo de adoção em outros estados – também existe a atual crise do petróleo causada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, que aumentou as buscas por carros elétricos no Brasil e no exterior. Em meio a uma maré positiva com diversos fatores, pode ter sido o empurrãozinho final para levar muitos a tomar a decisão de migrar para carros elétricos.

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