
Diversos grupos da indústria automotiva dos EUA se uniram para mandar uma carta ao presidente dos EUA, Donald Trump, pedindo que os carros chineses continuem a ser barrados do país em qualquer situação.
A carta afirma haver por parte de seus membros “grandes preocupações sobre os esforços em curso da China para dominar a manufatura automotiva mundial e ter acesso ao mercado dos EUA. Essas ações são uma ameaça direta à competitividade global da América, a segurança nacional, e à base industrial automotiva”.
A proposta é manter as regras atuais que basicamente impedem a entrada qualquer veículo chinês no país. Eles também pedem que os fabricantes chineses não tenham permissão para instalar fábricas no país: “Nós também fortemente encorajamos a administração [federal] a rejeitar qualquer tentativa dos fabricantes chineses de burlar as restrições atuais estabelecendo unidades de produção nos EUA. As distorções de mercados e os riscos para a indústria automotiva nos EUA são fundamentalmente os mesmos se esses veículos são importados ou produzidos domesticamente.”
A carta ainda criticou a recente decisão do Canadá de permitir veículos chineses em seu mercado.
Japoneses e coreanos se juntam ao lobby contra os chineses
Os grupos representam os fabricantes de carros, de peças e vendas. São eles:
- Alliance for Automotive Innovation (“Aliança para a Inovação Automotiva”), o grupo dos principais fabricantes no país;
- National Automobile Dealers Association (“Associação Nacional dos Vendedores de Automóveis”), representando concessionárias e revendas;
- Autos Drive America (lit “Autos movem a América”), associação de fabricantes estrangeiros nos EUA;
- American Automotive Policy Council (“Conselho Americano de Política Automotiva), que propõe mudanças de regullamentação;
- MEMA (Motor & Equipment Manufacturers Association, “Associação dos Fabricantes de Motores e Equipamentos”), representando os fabricantes de peças.
O primeiro grupo não inclui apenas fabricantes nativos como a General Motors, Ford e Stellantis (que possui as marcas americanas Jeep, Dodge e RAM), mas também as asiáticas Toyota e Hyundai, e a alemã Volkswagen. Em dezembro eles já haviam se manifestado dizendo que os chineses representam uma “clara ameaça à indústria automotiva nos EUA”, já se posicionando não só contra a instalação de fabricantes chineses de carros, como também contra os fabricantes de baterias.
Em janeiro, Trump havia dado a entender que não é totalmente contra a chegada dos chineses: “Se eles quiserem vir, fazer uma fábrica e contratar você, seus amigos e vizinhos, isso é ótimo, eu adoraria isso”, afirmou, diante do Detroit Economic Club. Ele tem uma visita à China agendada para o dia 31 deste mês, onde se espera que os países possam chegar a acordos para ao menos parcialmente aliviarem o estado de guerra comercial entre eles. Certamente está na mesa a possibilidade de os chineses instalarem fábricas nos EUA.
Metade do preço do mais barato
Nos Estados Unidos, o carro elétrico mais barato atualmente é o Chevrolet Bolt, a $28.995 (~R$ 152 mil). A Ford comparou sua empreita em produzir uma nova plataforma para começar a ser vendida a US$ 30 mil ao Programa Apollo e à criação do Ford Modelo T – que revolucionou a história do automóvel ao se tornar o primeiro carro acessível do mundo.
Na China, um Dolphin Mini (lá chamado Seagull) é vendido a partir de ¥55.800 (o que dá US$ 8 mil, cerca de R$ 42 mil). Se o Mini é pequeno demais para o gosto dos americanos, o seu primo maior Dolphin GS (chamado simplesmente Dolphin na China) é ligeiramente mais longo que o Bolt e custa ¥99.800 – cerca de US$ 14 mil (R$ 74 mil). Isso dá uma a medida do pânico desses fabricantes.