
Segundo informações do Guardian, citando o site de vendas CarEdge, a busca por carros elétricos nos EUA subiu 20% comparadas a três semanas atrás. O prazo coincide exatamente com o ataque surpresa de Israel e EUA ao Irã, que se seguiu à retaliação e bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo. Desde então, o Petróleo Brent subiu de US$ 70 o barril para US$ 110, criando uma crise de abastecimento mundial, que ameaça também o Brasil.
“Você pode ver que um pico começou em 48 horas da guerra – está diretamente ligado às notícias”, afirmou Justin Fischer, analista automotivo da CarEdge, ao Guardian. “Se virmos os preços mais altos de gasolina continuarem por um mês ou mais, veremos números maiores ainda.”
A consultoria Edmunds também notou um salto, ainda que mais discreto, logo após o começo do conflito. As pesquisas subiram de 20,8% do total para 28,4% no início do conflito.
Os EUA enfrentam uma crise no mercado de carros elétricos desde o fim do subsídio de US$ 7.500 para compras que ocorreu em outubro passado, e mais tarde acabando com basicamente qualquer controle federal de emissões, chegando ao ponto de processar o estado da Califórnia por manter suas leis de incentivo. Desde então, múltiplos fabricantes ocidentais e japoneses voltaram atrás em seus planos de eletrificação.
É um consenso crescente entre especialistas que a decisão é ao mesmo tempo óbvia, porque os fabricantes ocidentais têm maiores taxas de lucro em modelos de combustão interna, então vão extrair o máximo possível disso, com uma oportunidade surgindo nos EUA, quanto pode estar condenando esses mesmos fabricantes à futura irrelevância.
“Fabricantes americanos entendem que EVs são definitivamente a estratégia de longo prazo, mas podem fazer muito dinheiro no curto prazo com SUVs e picapes [a combustão]”, afirma Jessica Caldwell, líder de percepções da Edmunds, ao Guardian. “Muito da tecnologia de EVs foi desenvolvida nos EUA, mas a China é muito boa em escalar a produção e fazer deles baratos. As regras mudando a cada quatro anos na Casa Branca não ajuda tampouco – empresas de carros não podem operar dessa forma.”
Aumento da tendência no Brasil
Não temos dados da busca em sites equivalentes ao CarEdge (perguntamos à Webmotors, atualizaremos quando tivermos uma resposta).
Mas podemos ver uma mudança de comportamento no Brasil também a partir do Google Trends. Abaixo, a tendência de busca por “carro elétrico”. Clique pra ampliar.

O termo estava em alta em 20 de fevereiro (o mês em que elétricos tiveram sua máxima histórica no Brasil) com um índice de 84, teve uma queda para 74 até 28 de fevereiro, caiu novamente e começou a subir, conforme aumentavam as notícias de aumento dos combustíveis. Na última sexta, 20, e também no sábado, 21, teve um índice de 100 – o que significa absoluto aquecimento relativo ao histórico, na classificação do Google Trends.
A busca por “BYD”, a marca mais popular no Brasil também mostra uma curva parecida, e atingiu um índice 100 na última sexta.

Lá fora e por aqui, o consumidor está percebendo a mesma coisa que a Agência Internacional de Energia, que lida principalmente com combustíveis fósseis, notou: EVs podem ser uma forma de se proteger das flutuações do petróleo. E é possível que os fabricantes ocidentais se arrependam mais cedo do que imaginam por abandonarem seu investimento em veículos elétricos.
Via The Guardian