
Maior fabricante mundial de carros elétricos, após superar a Tesla em 2025, a BYD tem passado por uma maré de más notícias na China, onde a concorrência feroz e até uma possível crise de superprodução estão afetando seus lucros. Na última sexta-feira, ela apresentou seu balanço de vendas, e o resultado foi uma queda pior do que a esperada.
O lucro líquido da BYD caiu 19% em comparação ao ano anterior, mais do que os 12,1% esperados por analistas ouvidos pela consultoria LSEG e citados pela agência Reuters. Essa foi a primeira vez que o lucro da empresa caiu no ano a ano desde 2022.
O principal culpado é a concorrência. Enquanto a BYD é mundialmente o maior fabricante de veículos elétricos e fechou 2025 como a marca mais vendida na China, caiu ao quarto lugar no começo deste ano. Concorrentes estão contestando com sucesso seu domínio antes absoluto, entre eles a Leapmotor, a Xiaomi e a Geely, que produz o atual carro mais vendido da China, o Geely Galaxy Xingyuan, e o mais vendido anteriormente, o Geely EX2 (o único concorrente ameaçando o domínio do BYD Dolphin Mini no Brasil).
Navegar é preciso
A saída parece estar no exterior. Nesta segunda-feira, o fabricante revisou para cima sua previsão de vendas fora da China, indo de 1,3 milhão, previsto em janeiro, para 1,5 milhão de unidades. No ano passado, a marca já havia atingido um recorde de 1.046.083 unidades no exterior, superando sua previsão de 800 mil.
No Brasil, a BYD vai muito bem, obrigado: a empresa confirmou que usará sua fábrica na Bahia como base para produzir para o resto da América Latina, com 100 mil unidades previstas para México e Argentina. E, em fevereiro, pela primeira vez na história do país, um carro elétrico se tornou o modelo mais vendido no varejo (pessoas físicas): o Dolphin Mini, que lidera com folga as vendas de elétricos puros, representando mais de 60% do volume, há muitos meses.
Fora daqui, a BYD já possui instalações na Tailândia e no Uzbequistão, e está instalando fábricas na Indonésia, dando acesso a um mercado maior que o do Brasil, e também na Turquia e na Hungria, abrindo espaço para exportações para a Europa.
A BYD fechou 2025 com 22,5% de suas vendas fora da China, mas nos primeiros meses deste ano o número já saltou para 50%. O futuro do maior fabricante de elétricos, assim, cada dia mais parece estar longe de casa.