
O Ministério de Segurança Pública da China apresentou pôs em consulta pública um rascunho de novas regulamentações que podem mudar muitas coisas na forma como EVs são usados e produzidos no país. A proposta é atualizar o atual regulamento de trânsito no país para, entre várias outras medidas de segurança, limitar o tempo mínimo de aceleração de qualquer 0 a 100 km/h para 5 segundos.
A medida não iria afetar modelos populares, mas não se limitaria a superesportivos: alguns SUVs pesados e poderosos, como GWM Wey 07 e o Leapmotor D19, são capazes de superar essa marca. O que um dia já foi um privilégio para veículos de competição hoje é disponível ao consumidor, com os mais potentes elétricos levando por volt de 2 segundos para atingir a marca.
Isso porque um motor elétrico é meio que “roubar” nessa disputa: o torque instantâneo e a ausência de uma caixa de marchas torna trivial construir aceleração nesses carros. E a medida, que se aplicaria a qualquer carro, tem como alvo justamente os EVs, que começam a causar preocupação por sua aceleração súbita em ambientes urbanos, e o potencial de acidentes que isso representa.
Na proposta, a função seria opcional: a ideia não é impedir que carros sejam capazes de acelerar o máximo que permitem, mas que no modo padrão, quando são ligados, essa fosse a configuração. Na prática, é semelhante ao modo de economia que já existe na maioria dos carros elétricos. Para ativar a velocidade máxima, seria preciso mudar para o modo “performance” – que não poderia, porém, ser salvo nas configurações e pré-ativado ao ligar o carro. Seria preciso configurar novamente toda vez em que o carro é ligado.
Outras ideias na proposta
A regulamentação não se limitaria ao controle de aceleração. Os carros deverão comportar tecnologias de supressão de erro de uso no pedal (quando o condutor pisa no acelerador querendo pisar no freio). Isso seira na forma de avisos visuais e de áudio para impedir a aceleração indesejada.
Também há provisões para fazer com que carros elétricos desliguem a corrente automaticamente quando mudanças de velocidade de 25 km/h ou mais acontecem em menos de 150 milissegundos, em qualquer direção – neste caso, para detectar um acidente, não aceleração excessiva.
Os carros elétricos também obrigatoriamente devem passar detectar e prover sinais claros de condições anormais nas baterias, como superaquecimento. E as baterias devem ser equipadas com válvulas de alívio de liberação de pressão da bateria direcionais, apontando para longe dos passageiros, de forma a torná-los mais seguros em caso de incêndio.
Ainda que nenhum entusiasta goste de ouvir falar em limitação de potência nos carros, a legislação tem um potencial positivo para a indústria chinesa, ao incluir essas outras provisões de segurança (restando ver o quanto isso afeta o custo dos veículos). A limitação de aceleração, feita por software, pode ser removida em versões internacionais.
Via CarNewsChina