Em projeto da USP e iniciativa privada, van a combustão vira elétrica com tecnologia nacional

Projeto da USP em parceria com startup converte Renault Master usada em veículo zero emissões; solução custa até 40% menos que um elétrico novo.
Atualizado: 19 de dezembro de 2025 11:12
Van adaptada para energia elétrica na parceria da USP e Ecosave
A van adaptada | USP / Divulgação

Uma parceria entre a engenharia da Universidade de São Paulo (USP) e a iniciativa privada pretende auxiliar na eletrificação das frotas de entrega no Brasil sem a necessidade de comprar veículos novos. A Unidade Embrapii Powertrain, ligada à USP, e a startup EcoSave (da empresa Alpha 6) desenvolveram um kit de conversão capaz de transformar a van Renault Master em um veículo 100% elétrico.

O projeto utiliza tecnologia nacional e já está em fase final de testes – segundo os criadores, superando as expectativas iniciais de autonomia.

Diferente de adaptações caseiras (as famosas gambiarras), o projeto seguiu um processo de engenharia apoiado pela Embrapii. A primeira fase envolveu o mapeamento de percursos reais na zona sul de São Paulo para criar um ambiente de simulação virtual. Isso permitiu aos pesquisadores especificar o tamanho ideal da bateria e a potência do motor para as condições de uso prático no Brasil. O sistema conta com motor e inversor fornecidos pela brasileira WEG, dando um caráter nacional à solução.

Imitando o comportamento da combustão interna

Um dos grandes desafios foi desenvolver o que chamam de lógica de controle do veículo. Segundo Bruno Angélico, pesquisador da USP, o objetivo foi calibrar a versão elétrica para simular o comportamento do modelo original. “O que eu me refiro à lógica de controle é você controlar, por exemplo, quando a gente pisa no acelerador, qual é o torque que vai ser transferido para o sistema. Também buscamos deixar a resposta do sistema mais próximo do motor a combustão.”

Enquanto carros elétricos geralmente (nem sempre) buscam manter sua própria identidade, em particular no comportamento do acelerador, isso é uma necessidade para o transporte comercial, acreditam os pesquisadores. “Quem vai dirigir essa van é o mesmo funcionário e a resposta do sistema não pode ser tão diferente”, afirma Angélico.

O protótipo, que mantém a estrutura original do veículo, apresentou resultados de performance superiores ao projetado. Enquanto a estimativa inicial era de 200 km de alcance, o sistema de regeneração de energia permitiu que a van atingisse cerca de 250 km de autonomia.

O número é mais do que suficiente para a operação urbana de transporte escolar ou logística, que roda em média 120 km por dia.

Viabilidade de nercado

A escolha da Renault Master para o projeto piloto é estratégica: é o modelo líder de vendas na categoria há nove anos, com quase 200 mil unidades em circulação no país.

Para os gestores de frota, o atrativo é o bolso. De acordo com Leandro Zillig, diretor da Alpha 6, a conversão reduz os custos de aquisição de uma frota elétrica em 30% a 40% na comparação com a compra de modelos novos importados. Além disso, o retrofit estende a vida útil de veículos que já existem, uma prática alinhada à economia circular.

“O carro está pronto, a gente agora está na fase de teste de rua” explica Leandro Zillig, diretor da Alpha 6. “Está previsto para rodar aproximadamente cinco mil quilômetros, para a gente realmente ver até a robustez de tudo aquilo que foi feito até aqui.”

A van elétrica agora entra na fase de “prova de fogo”: um teste de rodagem de 5.000 quilômetros em condições reais para validar a robustez do sistema.

A tecnologia chega em um momento crucial para o setor de logística em São Paulo, onde a Lei Municipal nº 16.802 exige que 50% das frotas de prestadores de serviço sejam elétricas até 2028.

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