Estudo: entre 8 e 12 anos de idade, carros elétricos tipicamente mantém 85% da bateria

Pesquisadores britânicos testaram 8 mil veículos; também averiguaram que, aos 160 mil km, é comum manterem entre 88% a 95% de sua capacidade
Atualizado: 19 de fevereiro de 2026 02:02
Engenheiro testando a saúde da bateria de um carro
Testando a saúde da bateria | Getty Images

A Generational, empresa britânica especializada em medir a saúde de baterias automotivas, acaba de publicar seu estudo Generational 2025 Battery Performance Index, medindo como fatores como quilometragem e idade afetam a degradação das baterias. E os resultados parecem contrariar a percepção comum de que carros elétricos são uma bomba relógio esperando a hora de se tornar sucata muito mais cedo do que carros a combustão interna.

O estudo avaliou carros da frota circulante do Reino Unido, com veículos entre 0 e 12 anos e até mais de 160 mil milhas (254 mil km) no odômetro. A saúde média das baterias na frota analisada ficou em 95,15%.

O número da saúde da bateria (SoH) é o percentual de carga máxima atual em comparação com quando a bateria era nova. Assim, uma saúde de bateria de 90% significa que o carro perdeu 10% de sua capacidade (e alcance) original, e mantém 90%.

Mesmo veículos com 8 a 12 anos de uso mantêm uma capacidade mediana de 85%, permanecendo bem acima do limite de 70% que costuma acionar as garantias dos fabricantes. No meio do caminho, os veículos entre 5 a 6 anos apresentavam uma mediana de 92.26% de saúde de bateria.

Na tabela acima, os carros aparecem classificados por grupos de idade; a segunda coluna mostra os 25% piores, a seguinte, a mediana, e a última, os 25% melhores | Generational / Divulgação

(Mediana, diferente de média, é o valor central num conjunto de números – indica o que seria o valor mais típico, sem ser influenciada por casos extremos e raros como a média. Assim, os 85% de mediana representam o valor mais comum entre os carros analisados.)

O que é mais importante: idade ou uso?

O estudo ressalta o desempenho de veículos de alta quilometragem – com mais de 160 mil km – que frequentemente apresentam saúde de bateria entre 88% e 95%, provando que a distância percorrida sozinha não é um indicador confiável para avaliar o estado real do componente.

Veículos mais novos e muito rodados podem apresentar baterias em melhor estado do que carros mais velhos com pouca quilometragem, particularmente se os primeiros foram operados com protocolos de carregamento adequados – o que indica não só o dano pelo tempo, mas a melhora da tecnologia.

O estudo têm suas limitações. A amostragem de carros antigos é pequena: afinal, há 12 anos atrás, EVs ainda eram um pequeno nicho de vanguarda. Também, em comparação com o Brasil, o Reino Unido tem uma frota principalmente de fabricantes ocidentais – em particular a Tesla, com os Model Y e Model 3 como os mais vendidos em 2025. A Tesla nem tem representação oficial no Brasil e os chineses, que dominam por aqui, tem pouca participação por lá.

Gráfico de pontos da Generational mostrando os resultados de sua pesquisa
No gráfico acima, a amostragem total, com cada ponto sendo um carro avaliado; o estado de saúde aparece na vertical, a idade do carro na horizontal e a milhagem é representada pela cor | Genenerational / Divulgação

Puxando brasa pra a própria sardinha da Generational, o relatório conclui que a verificação da saúde de bateria está deixando de ser um item opcional para se tornar uma infraestrutura essencial do mercado, permitindo que compradores escolham veículos elétricos usados com a mesma segurança de um modelo novo

Os dados são um indício de que a degradação das baterias não é um risco tão grande quanto as pessoas imaginam e que baterias frequentemente podem durar mais do que os próprios veículos.

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