Estudo nos EUA demonstra na prática caminhões elétricos operando longas rotas

Acompanhando caminhões de diversos tipos em trabalho normal, estudo detectou que elétricos são bem mais capazes do que diz o senso comuim
Atualizado: 17 de outubro de 2025 12:10

Um novo e extenso estudo do North American Council for Freight Efficiency (“Conselho Americano para Eficiência Energética no Trasnporte”, NACFE) desafia o senso comum de que os caminhões com semirreboque elétricos a bateria (BEVs) são inadequados para o setor de logística de longa distância. O relatório traz evidências de que os caminhões pesados elétricos já estão cumprindo rotas de centenas de quilômetros diariamente no mundo real.

Em sua quinta edição do evento Run on Less – Messy Middle, a organização mapeou em tempo real 13 caminhões com diferentes motorizações (hidrogênio, elétrico a bateria, diesel, biodiesel e gás natural) em suas rotas diárias por 18 dias, a partir de 8 de setembro passado. Você pode ver o resultado neste link.

Foto de caminhão elétrico da Tesla
Caminhão elétrico Tesla 1, que participou do estudo | NACFE / Reprodução

Durante a pesquisa, a equipe do NACFE testou quatro modelos de semirreboques BEV em condições reais: dois Tesla 1, um Volvo VNR Electric, um Freightliner eCascadia e um Windrose R700. Todos os caminhões cumpriram suas tarefas com sucesso, cobrindo centenas de quilômetros por dia e transportando cargas de até 25 toneladas.

Rick Mihelic, Diretor de Tecnologias Emergentes do NACFE, critica vários argumentos que são comuns entre os defensores do diesel e foram derrubados pelo estudo. Ele propôs um cenário de cinco dias totalmente elétrico no sudoeste dos EUA, com rotas que totalizaram 3.193 km, comprovando que a rota é 100% viável com a infraestrutura e a tecnologia elétrica atuais.

Mihelic aponta vários mitos derrubados a partir do que caminhões demonstraram fazer na vida real. Segundo ele, os defensores do diesel afirmam que os caminhões de longa distância percorrem mais de 600 milhas (965 km) por dia (e portanto elétricos não teriam o alcance necessário), mas o estudo detectou que a maioria faz menos de 500 milhas (804 km). 58% dos caminhões de serviço médio (Classes 3-6) e 41% dos caminhões pesados (Classes 7-8) rodaram menos de 250 milhas (402 km) entre depósitos (e carregamentos). Mihelic diz também os defensores do diesel assumem que eles sempre usam a carga máxima (40 toneladas) quando frequentemente viajam vazios.

Relatório detalhado em breve

O diretor executivo do NACFE, Mike Roeth, compartilhou os resultados iniciais, afirmando que as frotas estão utilizando as tecnologias disponíveis para testar os limites de alcance e carga pesada dos combustíveis alternativos.

Segundo ele, os dados demonstram que, embora os BEVs possam não estar prontos para substituir todos os caminhões a diesel hoje, eles podem substituir “certamente muitos deles”, sendo condizentes com a maior parte dos ciclos de trabalho.

Segundo ele, apesar dos desafios regulatórios e dos incentivos instáveis, a indústria de transporte persevera no foco em ser mais eficiente e reduzir seu impacto ambiental. Mesmo diante da incerteza sobre qual será a propulsão ideal no futuro, as frotas continuam a se concentrar no essencial: a entrega de mercadorias.

Apesar de o evento de rastreamento ter sido concluído, o NACFE continuará a minerar os dados coletados durante o teste, incluindo informações das visitas aos locais e as métricas de desempenho.

A organização planeja publicar um relatório detalhado com as conclusões e recomendações para frotas e fabricantes (OEMs) ainda neste mês. Além disso, o NACFE realizará um evento onde especialistas em dados serão convidados a compartilhar suas interpretações do desempenho dos veículos.

Via electrek

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