Os rumores estavam corretos e um dos veículos mais familiares do planeta inteiro irá ganhar uma versão elétrica. A Toyota oficializou a nova geração da Hilux em um evento mundial em Bangkok, Tailândia
A série inteira teve um facelift, dando um aspecto mais anguloso, como é a tendência atual. No cerne do anúncio estava o protótipo da Hilux BEV (100% elétrica), sem uma grade visível, mas não deve ser o único visual da próxima geração. A Toyota afirmou que que entrará numa “abordagem multi-caminho” para a neutralidade de carbono, incluindo um caminho sem nenhuma neutralidade de carbono. Além da versão elétrica (chamada provisoriamente de “Hilux Travo”), um modelo FCEV, movido a célula de hidrogênio, e um modelo a diesel.
Falando no que, a caminhonete elétrica parece claramente inferior à versão a diesel – o que significa que não a substitui. Pelas informações da própria Toyota, os valores pré-homologação são uma capacidade de 715 kg de carga e 1600 kg de reboque. A versão híbrida leve (MHEV) a diesel oferecerá 1000 kg de carga e 3500 kg de reboque.
A potência do motor é de 144 kW (193 cv), o que é também menos que a versão a diesel 2.8 (220 cv).
Usará uma bateria de 59.2 kWh sob o chassi, de forma a não modificar a cabine entre as versões e, segundo a Toyota, permitindo ainda assim funcionar em condições de alagamento.
Há uma aparente contradição nas informações providas pela Toyota no quesito alcance. Enquanto o site europeu mencionou 240 km, o asiático falou em “mais de 300 km” como alvo de desenvolvimento. Os dois ciclos de testes são diferentes – WLTP no caso europeu, e NDEC no asiático. Geralmente, o NDEC (que é considerado obsoleto) gera valores menores, não maiores que o WLTP, então a contradição permanece.
Ambas as especificações tornam a Hilux elétrica uma oferta modesta – na mesma categoria de tamanho, a F150 Lightning (que a Ford aparentemente está aposentando) tem 466 km de autonomia, 3492 kg de reboque e 907 kg de carga. E a Lightning tem 433 kw/580 cv de potência em sua versào máxima (mais que o dobro da Hilux).
OK, mas e o preço?
É claro que categoria não é só tamanho: a Lightning mais barata sai a U$ 54.780 (~R$ 291 mil) e a mais cara, US$ 84.995 (~452 mil). A Hilux não vende nos EUA, mas seu preço internacional começa em US$ 26 mil (~R$ 139 mil – o preço ao consumidor no Brasil começa em R$ 278.790). O real valor da Hilux elétrica só pode ser medido quando seu preço for divulgado.
A Toyota ainda não revelou isso, mas o Autocar listou um valor de £ 60.000 (~R$ 420 mil) em sua avaliação – que notou a falta de bateria e capacidade. Salvo engano ou um valor muito diferente em outros países, não parece ser uma matemática favorável.
Aparentemente, a proposta da Toyota é uma caminhonete de uso urbano, para pequenas entregas. O problema é que o que foi apresentado não é capaz de substituir a própria Hilux em versões a combustão interna, que continua a ser a opção obrigatória dependendo do cliente. E possivelmente também perde em custo.
O que conta é a intenção? ¯_(ツ)_/¯
A nova geração deve chegar já em dezembro na Europa, e no ano que vem no resto do mundo. Nenhuma palavra ainda sobre o Brasil.





