Moto se torna o primeiro veículo a ser comercializado com bateria em estado sólido

A finlandesa Verge TS Pro passa a ser equipada com bateira de estado sólido, prometendo até 600 km de autonomia
Atualizado: 7 de janeiro de 2026 12:01

Após diversos fabricantes anunciarem estar prestes a encontra o Santo Graal das baterias, um fabricante relativamente obscuro aparece do nada com o cálice em mãos e já bebe dele: a moto TS Pro, da finlandesa Verge, passa a ser equipada por baterias de estado sólido de sua subsidiária Donut Lab, e já valendo para quem comprar agora.

O anúncio foi feito hoje, na estreia da CES Las Vegas. Ele pode ser visto no vídeo abaixo.

A empresa tem um histórico de entregar suas promessas. Na última CES, a Donut Lab apresentou um motor em disco vazado – em formato de rosquinha, como o nome da empresa sugere – que então era o motor elétrico mais potente em relação ao próprio peso, com 620 kW (820 cv) para um peso de 39 kg. O recorde foi vencido pela britânica Yasa, mas esse motor ainda não equipa nenhum veículos, enquanto uma versão mais leve do motor da Donut, de 100 kW (136 cv), já equipa a versão atual da TS Pro, que pode fazer de 0 a 100 km/h em 3,5 segundos e tem máxima limitada a 200 km/h. Por conta dele, a TS pro tem uma roda traseira sem cubo (o eixo central).

Foto da moto Verge TS Pro, sem cubo traseiro
Verge TS Pro | Verge Motorcycles / Divulgação

O Santo Graal em mãos

Durante o anúncio, os executivos disseram que a bateria em estado sólido já passa a equipar as motos da Verge, e que proprietários atuais tem a possibilidade de atualizar as baterias com a assistência da empresa. Com a nova bateria, a moto passa a contar com uma versão com autonomia máxima declarada de 600 km, numa bateria de 33 kWh. (Para comparação, o Kwid e-Tech tem bateria de 26,8 kWh, e o Dolphin Mini, 38 kWh.)

Segundo a Verge, a nova célula de estado sólido têm uma densidade energética de 400 Wh/kg. Isso é quase o dobro das bateria BYD Blade, com 160 Wh/kg.

Além disso, o fabricante anuncia também que a bateria se comporta de forma muito diferente das baterias atuais. O dono não precisa se preocupar com ela se descarregar ou evitar de carregar a 100% para preservá-la, e a carga pode ser feita em 5 minutos. A vida útil calculada é de 100 mil ciclos – o que, a 600 km por ciclo, ainda estaria servindo uma moto anciã de 60 milhões de quilômetros rodados, ou 1500 voltas ao mundo. (A BYD Blade, novamente, promete 3 mil ciclos de recarga.)

A ausência de eletrólitos líquidos inflamáveis — característica central das baterias de estado sólido — permite às motos com bateria em estado sólido dispensarem sistemas de refrigeração complexos. A empresa afirma que a célula mantém mais de 99% de sua capacidade operacional em temperaturas extremas, variando de -30°C a mais de 100°C, sem risco de superaquecimento.

Embora a composição química exata não tenha sido detalhada, a Donut Lab declarou que a bateria utiliza materiais “abundantes e geopoliticamente seguros”, sem dependência de minerais de conflito ou terras raras, visando uma cadeia de suprimentos mais estável e – essa é a hora em que as caras derretem – custos de produção menores que os das baterias de íon-lítio a longo prazo.

Se esse é mesmo o cálice correto, só vai ser possível saber nos próximos meses, assim que as primeiras unidades forem entregues aos consumidores finais. A moto é listada no site do fabricante por US$ 29.990 (R$ 161 mil). Há ainda a versão Ultra, mas essa só será entregue a partir do segundo trimestre.

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