
Uma das maiores preocupações dos candidatos a proprietários de elétricos é sobre a revenda: quanto eles desvalorizam e quanto difíceis podem ser de revender. Se os EUA servem de exemplo, talvez para um fenômeno que possa chegar aqui, a resposta tem dois lados.
Primeiro o lado bom: estão vendendo fácil. Enquanto o mercado de carros usados convencionais enfrenta uma desaceleração no país, os EVs usados não só estão vendendo mais rápido que os carros a combustão interna, como também encontraram um novo “ponto ideal”” de preço, que está atraindo compradores em massa.
Esse é o resultado da análise da Edmunds, uma empresa de referência no mercado automotivo do país, considerando dados do terceiro trimestre. O estudo mostra que o tempo médio para vender um carro usado nos EUA subiu para 41 dias, o ritmo mais lento desde 2017. Os EVs, no entanto, estão sendo vendidos em apenas 34 dias, uma semana inteira a menos que qualquer outro tipo de motorização.
A lista dos 20 carros usados que vendem mais rápido é dominada por elétricos. O Tesla Model S foi o carro usado mais quente do mercado, vendendo em apenas 21,5 dias, seguido pelo Model 3 (24 dias) e Model Y (26,3 dias). Modelos como o Hyundai IONIQ 5, Volkswagen ID.4, Kia EV6 e Ford Mustang Mach-E também figuram com destaque na lista.
Enquanto o preço médio de um veículo usado de 3 anos subiu para mais de US$ 31.000 (R$ 173.600) — um valor tão alto que tem afastado compradores —, os EVs usados se tornaram a melhor proposta de valor do mercado. O ponto ideal, segundo a Edmunds, para a compra de um EV usado se consolidou firmemente entre US$ 20.000 e US$ 30.000 (aproximadamente R$ 112.000 a R$ 168.000).
Quase dois terços (63,1%) de todos os EVs usados vendidos nos EUA no último trimestre estavam nessa faixa de preço. Em comparação 42,5% dos veículos a combustão interna vendidos se enquadraram nessa mesma faixa.
A má notícia
A notícia ruim é o motivo da boa: a razão para o descontão é que elétricos desvalorizaram bem mais que convencionais. Em 3 anos, segundo a Edmunds, um Model S, comprado por U$ 115.356, está sendo vendido a US$ 44,621. Significa que ele perdeu 61% de seu valor. O segundo lugar, o Model 3, perdeu 57% do valor. E o terceiro lugar, o Cadillac CT5, perdeu 40% do valor, e essa é a desvalorização mais alta para veículos a combustão interna na lista.
O carro que mais manteve seu valor foi o Toyota GR Supra, que perdeu só 13% em 3 anos. E, se serve de prêmio de consolação, o segundo que desvalorizou menos foi um híbrido, o Lexus NX 350h, que perdeu 18%.
Mas, segundo a Edmunds, os compradores de elétricos estão fazendo um bom negócio ao aproveitar essa virtual black Friday dos elétricos usados. Os EVs estão oferecendo muito mais tecnologia e menor custo operacional por um preço menor. O preço médio de um EV usado foi de US$ 29.922 (R$ 167.500), cerca de US$ 1.100 (R$ 6.160) mais barato que a média dos veículos a gasolina, e com quilometragem significativamente menor (35.661 milhas contra 39.525).
Essa faixa de preço, que antes era dominada por modelos mais antigos e com baterias degradadas, agora está repleta de veículos modernos e desejáveis, com apenas 2 ou 3 anos de uso.
Para a Edmunds, os compradores de elétricos usados estão fazendo um negócio inteligente: “De muitas maneiras, os compradores de VEs usados estão abraçando uma tecnologia que tem apenas uma geração de idade, enquanto os compradores de VEs novos ainda enfrentam o risco de pagar preços premium por modelos que evoluem rapidamente ano após ano”, afirma o relatório.
O fim do crédito fiscal federal de US$ 7.500 para muitos EVs novos nos EUA também pode estar empurrando ainda mais compradores para o mercado de usados, originalmente comprados com esse incentivo, e no qual ainda podem se qualificar para outros incentivos, tornando o custo-benefício imbatível.