Para desenvolver seu novo modelo elétrico, o Luce, Ferrari consultou até a Nasa

O fabricante buscou ajuda da agência espacial dos EUA para entender como o corpo humano reage à aceleração extrema, como a de um hipercarro elétrico
Atualizado: 30 de março de 2026 11:03
Rover lunar da Nasa em missão nos anos 1970
Rover lunar da Nasa | Nasa / Domínio Público

Se a Ford compara a criação da sua plataforma elétrica acessível ao Programa Apollo, é a Ferrari que literalmente recrutou a Nasa para ajudá-la com a sua. Para desenvolver o seu primeiro modelo elétrico, ela obteve consultoria da agência espacial dos EUA.

Numa entrevista concedida recentemente à Autocar India, o CEO Benedetto Vigna explicou a parceria inusitada. “Uma coisa é a performance de uma tecnologia, mas outra é como essa performance é percebida pelo ser humano. [EVs oferecem uma aceleração] muito linear e muito áspera, às vezes perturbando nosso cérebro.”

Segundo Vigna, muita aceleração pode não ser uma coisa boa e pode fazer com que as pessoas simplesmente desejem que a experiência acabe o quanto antes. Para entender os detalhes de um tipo de aceleração que nem sequer ela era capaz de entregar antes, a de veículos elétricos superpotentes, a Ferrari foi falar com a Nasa.

Por que a Ferrari foi procurar a Nasa?

Na partida de um voo espacial, astronautas experimentam em seus corpos uma força de 4g causada pela aceleração. Isso significa 4 vezes a força da gravidade terrestre, equivalente a pesar 4 vezes mais. Na desaceleração da reentrada, as forças podem ser ainda mais extremas, chegando a 8g. Astronautas precisam treinar em centrífugas que simulam a gravidade extrema para estarem prontos para poderem controlar seus veículos em situações assim. A Nasa então tem ampla experiência para dizer o que as pessoas sentem com acelerações extremas.

Carros elétricos famosamente possuem o torque instantâneo: isso significa que, no momento em que o motor é ativado, ele já entrega sua potência máxima. Carros a combustão interna precisam primeiro chegar à velocidade de rotação ideal para entregarem seu torque total. Na prática, isso significa que a aceleração de um carro elétrico é linear, enquanto a de um carro a combustão faz uma curva, começando de forma mais suave.

Essa aceleração brusca pode até ser percebida como divertida com carros comuns, quando não é extrema, mas passa a ser desagradável em supercarros. As pessoas não querem se sentir como um astronauta em treinamento ao dirigir um carro. Assim, a Ferrari está interessada em tornar a aceleração, se ainda digna de um hipercarro, aceitável para a maioria dos humanos, sem tentar quebrar recordes.

As partes “retrô” do carro elétrico da Ferrari

O controle da aceleração é uma das várias adaptações da Ferrari com o seu novo hipercarro elétrico – inicialmente conhecido como Elettrica, agora chamado Luce. Outra concessão à tradição foi perceber que as pessoas realmente apreciam o som de um hipercarro e, assim, ela está incluindo no modelo um sistema de amplificação do som natural do motor elétrico para dar um feedback auditivo.

Outra inovação “retrô” é criar uma interface com mais controles analógicos no painel. Controles assim não apenas podem ser vistos como mais agradáveis do que clicar em telas, mas mais seguros, já que podem ser usados sem desviar o olhar para eles.

A Ferrari Luce (se esse é mesmo o nome final) está prevista para ainda este ano.

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