
A Aliança Global de Veículos Elétricos publicou sua nova edição de Pesquisa Global de Motoristas de Veículos Elétricos. Segundo a organização, 208 motoristas brasileiros responderam ao questionário, e os resultados trazem algumas revelações interessantes sobre o Brasil.
(Nota: todos os gráficos nesta matéria podem ser ampliados clicando neles.)
Uma das questões é sobre o que levou às pessoas a migrarem para elétricos.

A grande maioria dos entrevistados (67%) mencionou menores custos com energia (ou combustível) como causa principal para a adoção. Esse número subiu bastante entre o levantamento de 2024, onde foi apontado por 42% dos entrevistados. O segundo mais popular foi o interesse por novas tecnologias (28%), seguida por menor custo de manutenção (24%).
Motoristas materialistas
Preocupações ambientais estão entre os fatores menos importantes para os consumidores brasileiros, com apenas 9% mencionando o clima (aquecimento global) e 14% falando em poluição local, na cidade.
De fato, outra pergunta é “A mudança climática é um grande problema”, e demonstrou uma queda entre os dois anos. Em 2024, 75% dos entrevistados responderam que concordam total ou parcialmente, enquanto em 2025 o número baixou para 67%.
Isso provavelmente indica não uma queda na conscientização ambiental do brasileiro como um todo, mas uma mudança no perfil do consumidor – de gente preocupada com o clima, um público um pouco mais elitizado, para gente preocupada só com o próprio bolso. Em outra questão, menos da metade (47%) dos motoristas se disseram preocupados do impacto ambiental da produção de seu veículo.
Outra pergunta foi “Qual a desvantagem de ter um carro elétrico?” Neste caso, a resposta mais popular foi “A cobertura dos carregadores rápidos é ruim”, com 49% dos respondentes.

Mas o interessante aqui é que esse número caiu dos 61% de 2023. A segunda resposta mais popular “Não há desvantagem em ter um veículo elétrico”, subiu de 20% para 34% entre os anos.
Ansiedade diminui
A maioria dos donos de EVs no Brasil é novata, com 52% dizendo que dirigem um carro elétrico a um ano ou menos. 82% compraram seu carro zero, e 58% não tem ele como carro único da família, possuindo um segundo veículo.
Outra evolução interessante é a diminuição da ansiedade de autonomia. Ela caiu de 52% em 2024 para 31% em 2025. Hoje, apenas 1/3 dos motoristas relatam ter o problema parcial ou totalmente.

Por fim, quando perguntados sobre a maior dificuldade para a adoção dos EVs no Brasil, os donos responderam “oportunidades de carregamento” (65%) seguidos por “mitos sobre EVs” (59%) e “preço” (51%). 62% deles também responderam ter dificuldade em convencer parentes e amigos por conta desses mitos.
A pesquisa indica uma “normalização” dos EVs, no qual necessidades práticas passam a dominar, as ansiedades causadas pelo desconhecimento vão diminuindo, ao mesmo tempo que há a percepção de problemas reais de infraestrutura que precisam de solução.
Veja a pesquisa completa aqui.