Testamos o volante quadrado da Peugeot no Salão do Automóvel

E você pode testar também; num simulador instalado no espaço da Peugeot é possível testar a tecnologia radical que a montadora diz que estreará já em 2027
Atualizado: 24 de novembro de 2025 02:11
Zoom da imagem do volante quadrado da Peugeot no Salão do Automóvel 2025
O volante quadrado | Fábio Marton / evdrops

A Peugeot não trouxe muitas novidades elétricas para o Salão do Automóvel. Trouxe o e-208 GTi, mas sem promessa de vender no Brasil, o que parece ser o comportamento padrão das montadoras não chinesas na exposição. Mas trouxe uma coisa que serve de prêmio de consolação e deve chegar ao Brasil, se ela seguir com sua promessa: seu volante quadrado, que ela chama de Hypersquare.

A palavra certa é retangular, mas não tem a mesma sonoridade. Esse volante aparece no novo conceito Polygon quanto no Inception, um pouco mais antigo, que está no Salão. A empresa diz estar “reinventando a roda” com esses conceitos e falou que devem estar em seus carros já a partir de 2027.

No Salão do Automóvel, num canto do espaço da Peugeot, é possível ver o que parece ser um arcade com um jogo de corrida. Ele possui telas e controles dos dois lados, permitindo dois “jogadores” ao mesmo tempo. O controle é o volante quadrado e o jogo é o simulador de seu uso. Não é realmente corrida: o carro simulado anda até bem devagar, e sequer tem acelerador. A ideia é apenas testar a experiência da direção.

Simulador do volante Quadrado da Peugeot no Salão do Automóvel de São Paulo
O simulador | Fábio Marton / evdrops

Como é dirigir com um volante quadrado

Não é o nenhum Forza Horizon, mas não deixa de ser entretenimento. Eu testei no dia da avant première (sexta) do Salão, então não havia fila ainda para o simulador.

Os buracos no canto, na versão final, ofereceriam controles, mas não estavam na simulação. Nela, serviam para garantir uma pegada suave, que pode ser feita com a ponta dos dedos. O Hyspersquareé emborrachado e metálico, com uma sensação na pele não muito diferente de um volante comum. A largura é como um volante pequeno, mas ele é bem espesso na direção de profundidade.

Mover o carro com deve acabar sendo parecido mesmo com controlar um jogo, porque, em se tratando de uma direção elétrica (steer by wire), não há um feedback tátil da resistência do asfalto aos pneus, ou vibração da estrada. Há uma resistência no volante, mesmo no simulador, mas não é exatamente a mesma coisa. A Peugeot, em seu anúncio recente do conceito Polygon, falou o “prazer em dirigir” e “sensação de estrada”. Em testes em carros reais oferecidos a jornalistas no exterior, também sentiram a ausência de um feedback mais direto.

A ausência do acelerador no simulador tem a ver com a sensação de pouco feedback porque, na vida real, você estaria pisando muito pouco até entender a exata reação do volante.

E essa reação é alta: é um volante bastante sensível em baixas velocidades, que exige movimentos mínimos. Então você pode acabar errando e corrigindo, fazendo um zigue-zague, até pegar o jeito, e ele se comporta de forma diferente em diferentes velocidades. O volante também não chega a dar uma volta completa, parando em 170 graus (o que é quase virar ele de cabeça para baixo).

Estaria aprovado? Pra dizer com certeza, só andando num carro, mas funcionar, funciona. Se o volante vier mesmo, se adaptar é uma questão de hábito. Como com qualquer carro.

Controles steer by wire são perigosos?

A maior preocupação de muitos motoristas com sistemas steer by wire é a possibilidade de ficar sem controle num caso de pane elétrica total. Contra isso, veículos assim são construídos com redundâncias. O Cybertruck, o modelo com a tecnologia mais em evidência, usa de 3 camadas de redundância, incluindo um sistema elétrico exclusivo para o volante. Controles puramente elétricos existem há muito tempo em aviões modernos, como os Boeings 787 e 777, e não há um backup mecânico.

Mas pense assim: a direção hidráulica também não têm backup. Se você perder o fluido, perde o controle. Estar num veículo é estar à mercê de sua tecnologia.

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