E, de repente, de onde menos se espera… até vem algo. A Toyota, como a maioria das japonesas, estava se movendo devagar na transição para os elétricos. Mas pode ser ela a redefinir o cenário mundialmente ao atingir o Santo Graal das baterias antes das outras. A empresa afirma estar desenvolvendo baterias de estado sólido projetadas para durar 40 anos.
A afirmação foi feita durante o Japan Mobility Show. “Para a bateria de lítio existente que fabricamos agora, com uso típico, nossa meta é talvez 10 anos [com] 90% de capacidade”, explicou Keiji Kaita, presidente do Centro de Desenvolvimento de Engenharia Avançada Neutra em Carbono da Toyota à publicação australiana Car Expert. “Esta [bateria] seria para, talvez, 40 anos – 90% de capacidade — esse é o potencial que estamos mirando.”
40 anos é simplesmente mais que a vida útil esperada de qualquer carro. A idade média de carros de passeio no Brasil é de cerca de 11 anos. Apenas 220 mil carros (menos de 2% da frota) tinha mais de 25 anos em 2024.
Assim, se a Toyota atinge seu objetivo, a degradação da bateria simplesmente deixaria de ser um fator. Até mesmo seria possível reciclar baterias de carros antigos em carros novos.
As baterias de estado sólido são há anos consideradas o “Santo Graal” da indústria. Elas oferecem maior densidade de energia (portanto mais autonomia para o mesmo volume), recargas muito mais rápidas, maior segurança (menor risco de incêndio) e maior durabilidade. Basicamente, são melhores em tudo, menos o preço… e o fato de que elas não são vendidas ainda. Torná-las viáveis é um dos maiores desafios industriais da atualidade. Como a fusão nuclear, parece uma daquelas tecnologias eternamente prometidas para um futuro próximo.
A Toyota admite que o caminho não será barato. Kaita reconheceu que “inicialmente, de fato, o preço é muito mais alto”, mas aposta que o custo será diluído pela vida útil superlonga.
A Toyota está firmando alianças estratégicas, como acordos com a fornecedora de eletrólitos Idemitsu Kosan, para viabilizar a produção.
Ainda há dúvidas sobre qual será o primeiro carro a receber a nova tecnologia, com rumores apontando tanto para um veículo híbrido quanto para um superesportivo elétrico da Lexus, sucessor do LFA. De qualquer forma, a Toyota mantém o cronograma para o início da implementação entre 2027 e 2028.
Via CarExpert