
O mercado de veículos eletrificados leves no Brasil encerrou 2025 com seu maior desempenho histórico. Segundo dados divulgados hoje pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), foram vendidos 223.912 veículos eletrificados (BEVs, PHEVs, e HEVs) ao longo do ano.
Esse número representa um crescimento de 26% em relação a 2024, e uma fatia de 9% do total de veículos leves vendidos no país (contra 7,4% no ano passado). E vem num ano em que o mercado geral de veículos leves cresceu 2,6%. Por esses números, os eletrificados avançaram em um ritmo dez vezes (ou 1000%) superior à média da indústria automotiva geral.
Mas os números têm uma “pegadinha”, e uma boa notícia que vem com uma má notícia.
Aceleração desacelera, mas menos do que parece
Primeiro a má notícia: o crescimento de vendas de carros elétricos no Brasil entre 2024 e 2025 é muito menor que os 89% de aumento registrados entre 2023 e 2024 – e ainda menos que os 90% entre 2023 e 2022. Significa que, se houve uma explosão de elétricos nesses anos, ela deixou de ser explosiva em 2025, e se converteu num crescimento robusto, mas comparativamente modesto.
Porém, a comparação da própria ABVE tem uma falha: até 2024, a associação considerava os híbridos leves (MHEV) como veículos elétricos, o que deixou de fazer em 2025. Se você descontar os 16.036 MHEVs do total de 177.358 veículos de 2024, temos 161.322 carros elétricos vendidos no ano pelo critério atual.
Isso que significa que houve, na verdade, quase 39% de aumento de vendas de EVs entre 2024 e 2025, e que essas vendas subiram 15, não 10 vezes mais que as dos convencionais.
Dezembro histórico
Continuando na positividade: dezembro de 2025 foi, por larga margem, o melhor mês da história da eletromobilidade no Brasil, com 33.905 emplacamentos. O volume representa um salto de 60% sobre novembro e 57% sobre dezembro do ano anterior, dando aos eletrificados uma fatia de 13% de todas as vendas de carros no país em dezembro, e recuperando uma marca de 10% que havia sido perdida em novembro.
Para Ricardo Bastos, presidente da ABVE, 2025 marca um ponto de virada: “Ultrapassamos o marco simbólico dos 200 mil veículos eletrificados vendidos num único ano. O mercado aumentou mais de 20.000% em apenas 10 anos! Ninguém mais tem dúvidas de que a eletromobilidade veio para ficar no Brasil”.
Sudeste ainda lidera, mas mercado se desconcentra
Na geografia do casrro elétrico, o Sudeste continua sendo o principal polo, concentrando 46,4% das vendas. No entanto, houve uma desconcentração gradual em comparação a 2023, quando a região detinha 52% do mercado, mostrando que os elétricos estão chegando a todo o país.
O Sul manteve a vice-liderança (18%), seguido de perto pelo Nordeste (16%), que se consolidou como a terceira maior força regional em eletromobilidade, superando o Centro-Oeste.
Ranking dos Estados que mais venderam em 2025:
- São Paulo (30,6%)
- Distrito Federal (9,7%)
- Minas Gerais (6,8%)
- Rio de Janeiro (6,4%)
- Paraná (6,3%)
Plug-ins dominam
Apesar de toda a discussão sobre infraestrutura (que é absolutamente válida, mas está longe de tornar elétricos inviáveis), a maioria dos brasileiros prefere veículos elétricos propriamente ditos, que podem carregar na rede elétrica, podendo funcionar sem combustível.
Os híbridos plug-in (PHEV), que podem contornar essas ansiedades, mas também podem funcionar sem combustível, foram os grandes líderes de venda, com 101.364 unidades (45% do total) e um crescimento de 58% sobre 2024. E os 100% Elétricos (BEV) ficam na segunda posição, com 80.178 unidades (36% do total) e alta de 30% no ano.
Já os Híbridos Convencionais (HEV e HEV Flex) somaram 42.370 unidades (19% do total). O destaque deste segmento foram os modelos Flex, que cresceram 5% no ano, impulsionados por um dezembro forte e pelo retorno da Toyota ao mercado após o desastre em sua fábrica.
O ano de 2025 também foi marcado pelo início da produção local de elétricos in no Brasil, após 5 décadas de hiato. Isso veio a inauguração das fábricas da GWM (SP), BYD (BA) e do polo multimarcas da Comexport (CE), que iniciou a produção de modelos da GM. Essa nacionalização, somada à importação, resultou em uma oferta recorde de 400 modelos diferentes de eletrificados disponíveis no Brasil, 26% a mais do que em 2024.
Atualização em 06/01/2025, 18h42: A ABVE respondeu a um e-mail perguntando sobre sua metodologia. Esta é a resposta:
Conforme mencionado por você, a metodologia passou a ser alterada apenas em 2025. Dessa forma, não seria apropriado excluir os veículos MHEV da contabilização dos eletrificados em 2024, uma vez que esse não era o critério adotado à época.
Embora reconheçamos que seria bastante positivo destacar um crescimento próximo a 39%, entendemos que tal abordagem não estaria alinhada com os parâmetros metodológicos que vêm sendo utilizados de forma consistente na apresentação das informações até o momento.
Honestamente, ainda achamos não ideal comparar os números de um ano com os MHEVs, que são fabricados por montadoras tradicionais e têm um volume considerável, com o outro ano sem eles. Se os números não se alterassem entre os dois anos, o resultado apontaria uma queda. Então vamos manter o título, com essa ressalva.