
Os números consolidados de março da ABVE foram divulgados e contêm um marco importante: o total de veículos elétricos puros (BEV) vendidos no Brasil acaba de ultrapassar 200 mil unidades, chegando a 200.592. Contando eletrificados como um todo, o número vai a 628.371 – lembrando que a ABVE não inclui híbridos leves (MHEV) em sua conta.
Não apenas isso, como há uma aceleração muito grande em andamento. Desses 200 mil, 98.207 foram emplacados nos últimos 12 meses. E desses 98 mil, foram 31.026 apenas no primeiro trimestre de 2027. E, por fim, desses 31 mil, 14.073 – quase metade – foram apenas em março.
Se o Brasil mantiver a média do primeiro trimestre, terminaríamos o ano com 123 mil carros elétricos a mais. Mas isso significaria estagnação nas vendas, o que parece cada dia mais improvável. Se março fosse parâmetro para até o fim do ano, terminaríamos em 150 mil.
O que está dando certo?
Para um país que tem incentivos às avessas, e premia carros a combustão interna com subsídios que não existem para elétricos, o sucesso definitivamente precisa de explicações. O Brasil é um campo de batalha teoricamente desfavorável, e com um concorrente (ao menos na visão do governo) que não é relevante no resto do mundo: os biocombustíveis.
A ABVE atribuiu essa aceleração explosiva – de quase 200% em um ano – à lei dos carregadores em São Paulo e sua repercussão que começa a acontecer em outros estados. Ao tornar a instalação de um carregador um direito (desde que o prédio tenha infraestrutura, e a custo do proprietário), a lei foi um grande passo para a democratização do carro elétrico no Brasil.
Mas provavelmente não é o único fator: a busca por EVs subiu no mundo inteiro por conta da crise do Estreito de Ormuz e subsequente alta (ou ameaça de alta) nos combustíveis (e o Brasil, biocombustíveis e tudo, não é exceção).
Números em perspectiva
Um pouco de perspectiva para terminar: por mais que os números devam ser celebrados, eles representariam ainda modestos 0,31% da frota de automóveis do Brasil, que o Ministério dos Transportes calcula em 64,7 milhões. O “representariam”, no futuro do pretérito, é porque esse número seria se nenhum EV tivesse saído de circulação no período medido pela ABVE, já que baixas não entram na conta.
Meio copo vazio: ainda há muito para crescer.
Meio copo cheio: ainda há muito para crescer.