BYD supera Tesla como maior fabricante de carros elétricos em 2025 – com 37% de vantagem

Decisões de Elon Musk e do governo Trump influenciaram na mudança, mas vitória chinesa vai muito além, e indica uma mudança no eixo da inovação automotiva
Atualizado: 5 de janeiro de 2026 03:01
Carro hiperesportivo BYD Yangwang U9 Xtreme no estande da Denza no Salão do Automóvel de São Paulo
O Yangwang U9 Xtreme no Salão do Automóvel de São Paulo | Fábio Marton / evdrops

A Tesla e a BYD divulgaram seus resultados de produção para 2025. Enquanto a montadora de Elon Musk apresentou uma queda anual de 9%, vendendo um total de 1,63 milhão, a chinesa apresentou um crescimento de 28%, chegando a 2,26 milhões de carros elétricos a bateria (BEV).

Para empatar com a BYD este ano, a Tesla teria que ter vendido 37% a mais de carros. E, se você considerar todos os eletrificados da BYD, o total é 4,6 milhões, quase o triplo do volume da Tesla.

Em 2024, a Tesla havia vendido 1,78 milhão de veículos, enquanto a BYD, 1,76 mi – um quase empate técnico.

Ocidente passando o bastão

Essa “passagem do bastão” é simbólica de muitas maneiras. A Tesla, sejamos justos com seu histórico, trouxe finalmente os carros elétricos para os holofotes ainda nos anos 00, após múltiplas tentativas históricas. Até o Tesla Roadster de 2008, elétricos simplesmente não eram cool.

E, por muitos anos, fabricantes ocidentais trataram elétricos mais ou menos como o Roadster, símbolos de status para elites em busca de uma aura de modernidade ambientalmente correta, querendo ter antes o carro do futuro.

Só que o futuro chegou mais cedo que esses fabricantes esperavam, com os chineses apresentando carros elétricos legitimamente acessíveis, que se mostraram simplesmente mais economicamente vantajosos que os modelos a combustão interna que ainda são a maior parte da produção desses fabricantes. A visão do elétrico como luxo acabou rapidamente se mostrando obsoleta – algo que a própria Ford reconheceu. A própria Tesla tentou lançar versões mais em conta de seus modelos recentemente, sem sucesso.

O futuro da Tesla em questão

E aí há uma politização da questão da mobilidade em países do Ocidente. Com o apoio de Elon Musk, os EUA elegeram uma administração que, não é nem controverso dizer, é negacionista climática, banindo as palavras “mudanças climáticas” e “emissões”de sua comunicação oficial. O governo Trump não só acabou com o benefício fiscal para carros elétricos, como está tentando desmontar as iniciativas de energia renovável.

Do ponto de vista do marketing de uma empresa de carros elétricos, o apoio foi desastroso: um estudo calculou a perda em um milhão de carros a menos vendidos (ou dezenas de bilhões de dólares) só nos EUA. Mas acionistas ainda assim premiaram Musk com o pacote de um US$ 1 trilhão. Porque, segundo analistas de mercado como Steve Eisman, que previu a crise de 2008, eles não se importam mais com carros. Acreditam que o futuro da empresa está nos robotáxis e robôs – e, nisso, a Tesla está mais interessada em menos regulamentação da inteligência artificial e de sua direção autônoma do que realmente o consumidor pensa sobre salvar o planeta (ou os gestos que seu CEO faz com a mão direita).

Sul Global adota eletrificação

Fora dos EUA, a União Europeia, sob pressão de montadoras alemãs, está a caminho de reverter sua proposta ambiciosa (e recentemente aprovada) de banir completamente carros com quaisquer tipo de emissões de gases estufa (encerrando assim veículos a combustão interna) em 2035.

Quanto à China, espera-se que, pela primeira vez na história, o país tenha vendido internamente mais carros eletrificados do que a combustão interna, com um crescimento de 20% no mercado. É um crescimento próximo do que se espera para o Brasil em 2025 e ainda bem longe do teto já atingido pela Noruega, que chegou perto de 99% de vendas de EVs.

Os números gerais no mundo apontam para esse crescimento mais rápido da eletrificação em países do Sul Global do que países ocidentais (salvo os nórdicos), que parecem dispostos a andar para trás.

Via BYD, Tesla

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