
Em vendas de carros elétricos – e mesmo em vendas gerais – dá para dizer que a estrela do ano foi a BYD. A montadora chinesa já tinha terminado bem ano passado, e já contava modelos seus nas listas dos carros (elétricos ou não) mais vendidos, mas conseguiu em 2025 superar outros nomes com décadas de presença no país – Renault, Jeep, Toyota, Honda e Nissan apareciam à frente dela – para se tornar a quinta maior do país em vendas no último mês.
A marca acaba de anunciar que chegou a 200 mil veículos emplacados no Brasil. Isso veio dois meses após ter anunciado que havia chegado a 170 mil, e um ano após ter marcado 100 mil. A BYD afirma ter 73,62% do mercado de elétricos puros (BEVs) no país, vendendo mais que as outras 15 concorrentes somadas.
“A BYD não apenas veio para ficar, mas se estabeleceu de forma definitiva como uma das marcas de maior crescimento e influência do setor automotivo”, afirma Alexandre Baldy, Vice-Presidente Sênior e Head de Comercial e Marketing da BYD no Brasil. “Conquistamos a confiança dos consumidores, que passaram a abraçar a eletrificação como uma alternativa viável e desejável.”
Os carros elétricos mais vendidos de 2025
Ao mesmo tempo em que a BYD celebra seu marco, a Bright Consulting lançou sua análise do mercado de eletrificados deste ano, que confirma esse domínio.
E tem uma notícia aparentemente muito positiva. A de que 10,5% das vendas foram de eletrificados – o que colocaria o Brasil num seleto clube de países com mais de 10% de eletrificação.

Mas esse número inclui híbridos leves (MHEV), basicamente carros a combustão interna com algum auxílio de propulsão elétrica para aumentar sua eficiência, que não são considerados eletrificados pela ABVE. Nesse segmento, que cresceu 340% com novos lançamentos, aparecem marcas tradicionais. A Fiat domina os MHEVs com ainda mais folga que a BYD domina os elétricos: os campeões Fiat Fastback (23.608 unidades) e Fiat Pulse (15.580) somam quase 20 vezes mais que o primeiro concorrente, o Chery Tiggo 7 (2.414).
Excluindo os MHEVs, o número de eletrificados pela Bright é 8,3 %. Não é tão impressionante assim, mas representa um aumento de 33% em relação aos 6,1% do ano passado.
O domínio da BYD em números
Quando a gente avalia as marcas no relatório da Bright, podemos ver o domínio da BYD nos elétricos plug-in. Essa é a tabela dos BEVs mais vendidos no Brasil no ano passado:

A BYD vende mais que 10 vezes mais que o segundo lugar, a Volvo, e os 3 elétricos mais vendidos são seus.
E, em híbridos plug-in (PHEVs), temos ainda o domínio da BYD, mas menos desta vez, com a Great Wall em segundo, marcando 40% do valor de suas vendas (ainda assim, menos que a metade), e a Volvo, em terceiro, com menos de 10%.

O que virá em 2026
A Bright prevê que os eletrificados chegam a 400 mil unidades em 2026, mas com mais por MHEV e HEV, “que tem custo menor, não necessitam da infraestrutura de carregamento” (isto é, não são realmente elétricos).
Em veículos plug-in, do tipo que pode carregar na tomada, o presente pertence à BYD. Mas 2026 pode ter surpresas.
Novembro de 2025 terminou com, pela primeira vez, um concorrente fazendo frente ao império do Dolphin Mini: o Geely EX2 – o veículo atualmente mais vendido na China – chegou ao segundo lugar no Brasil em seu primeiro mês de vendas.
Vários competidores estão nacionalizando suas linhas, e devem fazer frente ao poder da BYD. A própria Geely, parceira da Renault, irá produzir no Brasil – mas a primeira oferta deve ser um PHEV, o EX5. A GM está produzindo, numa operação independente no Ceará, o Spark EUV, e também fará o Captiva. A Leapmotor prometeu um fábrica em Goiana (PE) também ano que vem. E outras montadoras, como a MG, a GAC e Omoda & Jaecoo já anunciaram que vão fabricar no Brasil em breve, mas não confirmaram ainda local e data.
Via: BYD, Bright Consulting