A CATL, maior fabricante de baterias do mundo, está preparando uma nova geração de baterias capaz de enfrentar os piores inimigos das baterias atuais: carregamento rápido e extremos de temperatura. Em novos dados técnicos revelados nesta semana, a empresa afirma que a sua nova geração de baterias de lítio é capaz de suportar ciclos de recarga ultrarrápida contínuos por até 1,8 milhão de quilômetros, antes de apresentar degradação significativa – o que, na indústria, é definido como ter menos de 80% da capacidade original.
Manuais de proprietários e especialistas recomendam usar o carregamento rápido (DC) apenas em viagens, priorizando a carga lenta em casa para preservar a estrutura da bateria. E, de fato, entre outros, um estudo recente mostrou que a degradação pode dobrar de velocidade em veículos que usam de carregamento rápido frequentemente, com o segundo pior inimigo sendo altas temperaturas. (Informação útil: o mesmo estudo concluiu que carregar em 100% não é um problema exceto se o carro ficar muito parado com carga máxima.)
A nova tecnologia da CATL, baseada na plataforma 5C, mantém 80% da sua capacidade original após 3.000 ciclos de carga completa, mesmo quando submetida a potências de recarga capazes de preencher em 100% sua carga em cerca de 12 minutos.
Se considerarmos um veículo com 600 km de autonomia realizando esses 3.000 ciclos completos, chegamos a uma vida útil de 1,8 milhão de quilômetros. Nem mesmo no Brasil, onde os carros circulam por muito mais tempo do que os fabricantes consideram a vida útil padrão (8 anos, enquanto a idade média da frota aqui é 11 anos), seria imaginável ver um carro comum ultrapassando essa barreira. O carro irá para o ferro-velho muito antes da bateria. Enquanto o chassi, a suspensão e os bancos se desgastam, o pacote de energia continuará funcional, sobrevivendo a múltiplas carrocerias.
Uma bateria para os trópicos
Outro dado muito relevante para o Brasil são os testes de estresse térmico. A CATL submeteu as células a temperaturas de 60°C, simulando um verão extremo no deserto ou o calor refletido pelo asfalto. Mesmo nessas condições brutais, a bateria suportou 1.400 ciclos antes de atingir o limite de saúde, o que equivale a cerca de 840.000 km — isso é também muito mais que a vida útil de um carro no Brasil.
Para alcançar essa durabilidade, a empresa cita três inovações principais na química da célula. A primeira é um novo revestimento de cátodo mais denso, que impede a degradação estrutural durante a entrada violenta de energia. A segunda é um eletrólito “autorreparável”, composto por um aditivo químico que repara microfissuras e evita a perda de lítio. E, por fim, um novo separador reage à temperatura, controlando o fluxo de íons se perceber aquecimento localizado, impedindo o superaquecimento.
Espera-se que a tecnologia deva estrear inicialmente em veículos premium e comerciais – nesses últimos, a durabilidade extrema é crítica para o custo operacional. Mas ela significa muito para o futuro da eletrificação (se não for superada rapidamente por baterias em estado sólido). Com baterias que podem durar 15 ou 20 anos sem perda relevante de autonomia, o mercado de carros elétricos usados pode abandonar a ideia de que elétricos são carros condenados a durar pouco.
Via: CATL