
Patinetes elétricos são algo com que a gente quase tropeça hoje em dia nas grandes cidades, mas o último lugar em que alguém imaginaria ver eles é a guerra. Eles são – ou parecem ser – veículos absolutamente inofensivos, absolutamente civis. Mas a Guerra da Ucrânia, onde o combate do futuro, na forma de drones em massa, é testado todo dia, também abriu caminho para a inovação na mobilidade.
O patinete elétrico Mosphera, da empresa lituana Global Wolf Motors, está sendo usada por soldados ucranianos em situações de reconhecimento e também de combate.
“Inimigos têm drones que vasculham frequentemente as estradas”, explica um militar ucraniano entrevistado pelo fabricante para um vídeo promocional. “Usar equipamentos pesados por essas estradas é correr um grande risco de perdê-los. Para levar soldados para uma posição, simplesmente o risco não compensa. E andar a pé também é correr um grande risco.”
Por que um patinete de guerra?
Obviamente, não se trata de um patinete urbano de aluguel, como o da calçada da sua rua. É um veículo off-road, robusto, protegido contra os elementos, feito para resistir a areia e lama. Tem pneus de 17 polegadas, suspensão integral e freio hidráulico. Oferece ainda uma potência considerável com um motor de 10 kW, eu uma máxima de 100 km/h. Seu alcance fica em 150 km com sua bateria padrão, ou 300 com baterias duplas. Ela pesa 74 kg – muito para um patinete – mas é capaz de levar até 200 kg entre passageiro e carga.
A razão para a escolha aparentemente pouco convencional é justamente a guerra de drones. Para evitar detecção, mover-se furtivamente se torna uma questão vital. O silêncio de um motor elétrico, assim como seu tamanho reduzido, ajuda a impedir a detecção. Com o patinete, soldados podem se embrenhar pela floresta, onde é mais difícil serem perseguidos por drones.
E a bateria ainda pode ser usada para alimentar equipamentos de comunicação, tablets e outros eletrônicos usados na guerra.
A Mosphera já foi planejada, em 2020, pensada para o uso militar, e também outras funções exigindo maior robustez, como áreas rurais, portuárias e até primeiros socorros. A ideia foi considerada até cômica na época, mas está se mostrando não apenas viável, como altamente eficiente na Guerra da Ucrânia.
Via Mosphera