Donut Lab publica um segundo teste e, tudo indica, tem mesmo uma bateria em estado sólido

Em segundo teste independente, bateria finlandesa “milagrosa” fez coisas impossíveis para uma bateria comum; mas isso ainda não é a prova final
Atualizado: 4 de março de 2026 03:03
Conceito da bateria em estado sólido Donut Lab
Conceito da bateria | Donut Lab / Divulgação

A startup finlandesa Donut Lab publicou, em seu site jocosamente chamado I Donut Believe It, um segundo teste de sua bateria em estado sólido, pela mesma instituição que realizou o primeiro: o Centro de Pesquisas VTT da Finlândia.

A Donut é uma subsidiária da Verge Motorcycles, um obscuro fabricante de motos elétricas finlandês que afirmou em janeiro já ter o “Santo Graal” da eletrificação, enquanto todos os gigantes ainda falam em fazer testes: uma bateria em estado sólido pronta para sair da fábrica para o consumidor.

Naturalmente, uma afirmação tão extraordinária gerou extraordinária desconfiança, e agora a empresa busca provar que está falando a verdade.

Bateria da Donut funciona melhor no calor

O vídeo acima detalha o teste.

Na primeira tentativa, a célula de bateria da Donut havia sido recarregada e descarregada de forma extremamente rápida com sucesso, mas o teste foi parado quando a bateria atingiu uma temperatura de 90 °C. Segundo a Donut, a pedido dela própria, sendo conservadora em questão de segurança.

Desta vez, a bateria operou com sucesso a 80 °C e a 100 °C, e fez mais: ela mostrou ter mais capacidade operando em altas temperaturas do que em temperatura ambiente.

Esses são comportamentos não esperados de baterias de íon de lítio regulares. Elas perdem performance a partir dos 60 °C, e começam a correr risco de fuga térmica (um evento em cadeia que causa incêndios) aos 80 °C. Com isso, uma parte da promessa da Donut parece ser bem real: ela tem uma bateria que se comporta como uma bateria em estado sólido.

Os testes consistiram em envolver a bateria numa estrutura de alumínio, para mantê-la pressionada e evitar pontos quentes, como um dissipador de calor faria. Então ela foi colocada num forno por duas horas para atingir temperaturas altas, e depois deixada esfriar para a temperatura ambiente (20 °C), e testada quente e fria.

No teste de 80 °C, a bateria se comportou melhor que em temperatura ambiente, com capacidade de carga e recarga maior que a nominal, a 110%. Ao ser esfriada, nenhuma mudança foi observada.

No teste de 100 °C, ocorreu um dano: a cobertura da bateria se separou, perdendo sua proteção a vácuo. Mas a bateria pôde ser operada a capacidade maior que a em temperatura ambiente (107%) e funcionou normalmente depois de esfriada.

Segundo a Donut, a razão para funcionar melhor quente é que a resistência elétrica diminui a maiores temperaturas, permitindo que a bateria tenha uma capacidade melhorada.

O que o teste prova – e o que não prova

Bateria da Donut Labs sendo testada
A bateria sendo preparada antes de ir ao forno | Donut Labs / Reprodução

Até agora a Donut provou, por uma instituição independente, ter:

  1. Uma bateria;
  2. Que se comporta de forma diferente de uma bateria convencional;
  3. Que se comporta conforme o que se espera de uma bateria em estado sólido.

Significa que o produto existe e muito provavelmente é mesmo uma bateria em estado sólido. Até porque a bateria existir nem é a parte mais difícil.

Os testes ainda não provaram que a bateria pode resistir a múltiplos ciclos de carregamento – a Donut promete 100 mil ciclos antes de a bateria se degradar. Não mostram ela funcionando numa bateria completa – apenas células pequenas, com o tamanho de um celular, foram testadas.

Mas a parte que vai ser realmente complicada para provar é a principal alegação da Donut: que seja um processo industrial viável, pronto a sair da fábrica equipando a moto Verge TS Pro antes do fim do ano.

Baterias em estado sólido já existem em laboratório e têm as mesmas características que as que a Donut enviou ao teste. O desafio da indústria não é simplesmente criá-las, mas produzi-las industrialmente de forma viável e econômica. A Donut diz que suas baterias são mais baratas que as de íon de lítio convencionais.

E isso só vai ser provado quando os consumidores receberem suas motos e a Verge e a Donut continuarem existindo como empresas bem sucedidas.

Via I Donut Believe It

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