
O inverno rigoroso da China tornou-se o laboratório perfeito para uma tecnologia que promete baratear o carro elétrico. A gigante das baterias CATL e a montadora estatal Changan Automobile firmaram nesta semana um novo acordo de cooperação estratégica focado numa química não convencional: as baterias de íons de sódio.
A primeira vista, o avanço parece não ser avanço. Em comparação com o lítio, as baterias de sódio tem menos densidade energética por peso e, com isso, esses veículos tem menos autonomia. Densidade energética é tão importante que as baterias em estado sólido são chamadas de “Santo Graal” da eletrificação principalmente porque elas podem mais que dobrar essa densidade, acabando com a ansiedade de autonomia.
O lítio tem porém dois problemas cruciais: é caro, tóxico e sensível às temperaturas – principalmente o frio.
A parceria anunciada foca justamente no “calcanhar de Aquiles” dos elétricos atuais: o inverno. Baterias comuns de lítio (LFP ou NCM) podem perder até 30% ou 40% da autonomia quando o termômetro cai abaixo de zero, pois o frio dificulta a movimentação dos íons dentro da célula.
A tecnologia de sódio da CATL, por outro lado, promete reter mais de 90% da sua capacidade mesmo a -20 °C. Os testes atuais da Changan visam comprovar essa durabilidade em condições reais de rodagem, garantindo que o carro “popular” elétrico não deixe o motorista na mão durante nevascas.
Por que isso muda o jogo?
Se essa parte não é pertinente aos brasileiros, o custo têm tudo a ver. Sódio, afinal, é tão comum que todo mundo ingere ele todos os dias. Ainda que sua forma pura (e não o cloreto de sódio) seja pouco familiar às pessoas: ele é um metal brilhante, mas que é extremamente reativo, podendo explodir se jogado na água.
Ao substituir o lítio pelo sódio, o custo da bateria — a peça mais cara do carro — cai drasticamente. A estratégia da Changan e da CATL é massificar essa tecnologia em veículos de entrada e em sistemas híbridos, onde a bateria é menor. E também em comerciais, onde o custo é extra importante.
O sódio não vai matar o lítio, mas vai permitir que o carro elétrico barato seja funcionando bem tanto no calor do Brasil quanto na neve da China.
Via: CarNewsChina