Entenda por que a Changan e a CATL estão testando baterias de sódio na China

Baterias de sódio são menos eficientes que as de íon lítio, mas ainda assim elas são uma solução que pode trazer muitos benefícios para a indústria
Atualizado: 3 de fevereiro de 2026 06:02
Imagem do elemento sódio metálico sólido
Sódio puro, um metal | Dnn87 / Wikimedia Commons

O inverno rigoroso da China tornou-se o laboratório perfeito para uma tecnologia que promete baratear o carro elétrico. A gigante das baterias CATL e a montadora estatal Changan Automobile firmaram nesta semana um novo acordo de cooperação estratégica focado numa química não convencional: as baterias de íons de sódio.

A primeira vista, o avanço parece não ser avanço. Em comparação com o lítio, as baterias de sódio tem menos densidade energética por peso e, com isso, esses veículos tem menos autonomia. Densidade energética é tão importante que as baterias em estado sólido são chamadas de “Santo Graal” da eletrificação principalmente porque elas podem mais que dobrar essa densidade, acabando com a ansiedade de autonomia.

O lítio tem porém dois problemas cruciais: é caro, tóxico e sensível às temperaturas – principalmente o frio.

A parceria anunciada foca justamente no “calcanhar de Aquiles” dos elétricos atuais: o inverno. Baterias comuns de lítio (LFP ou NCM) podem perder até 30% ou 40% da autonomia quando o termômetro cai abaixo de zero, pois o frio dificulta a movimentação dos íons dentro da célula.

A tecnologia de sódio da CATL, por outro lado, promete reter mais de 90% da sua capacidade mesmo a -20 °C. Os testes atuais da Changan visam comprovar essa durabilidade em condições reais de rodagem, garantindo que o carro “popular” elétrico não deixe o motorista na mão durante nevascas.

Por que isso muda o jogo?

Se essa parte não é pertinente aos brasileiros, o custo têm tudo a ver. Sódio, afinal, é tão comum que todo mundo ingere ele todos os dias. Ainda que sua forma pura (e não o cloreto de sódio) seja pouco familiar às pessoas: ele é um metal brilhante, mas que é extremamente reativo, podendo explodir se jogado na água.

Ao substituir o lítio pelo sódio, o custo da bateria — a peça mais cara do carro — cai drasticamente. A estratégia da Changan e da CATL é massificar essa tecnologia em veículos de entrada e em sistemas híbridos, onde a bateria é menor. E também em comerciais, onde o custo é extra importante.

O sódio não vai matar o lítio, mas vai permitir que o carro elétrico barato seja funcionando bem tanto no calor do Brasil quanto na neve da China.

Via: CarNewsChina

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