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Estudo: carros elétricos não são mais perigosos para pedestres

Pesquisa analisou dados de atropelamentos e concluiu EVs causam ligeiramente menos mortes que os veículos a combustão interna
Atualizado: 11 de dezembro de 2025 04:12

Um dos muitos mitos que circulam a respeito de carros elétricos é que sejam mais perigosos que carros convencionais para os pedestres. Evidências científicas acabam de surgir para desbancar essa ideia. Um novo estudo publicado nesta semana (9) no journal Nature Communications concluiu que eles não representam um risco maior para pedestres do que os seus equivalentes a gasolina ou diesel.

A pesquisa, conduzida pela Universidade de Leeds (Reino Unido), analisou estatisticamente dados de acidentes e atropelamentos para verificar se as características físicas dos EVs — nomeadamente o peso maior, a aceleração instantânea e silêncio — se traduziam em maior letalidade nas ruas. A resposta dos dados foi um… sonoro “não”.

“Existiam duas preocupações a respeito de EVS e segurança nas estradas”, afirma o autor do projeto, Zia Wadud, professor de Mobilidade e Futuros da Energia em Leeds, em comunicado da universidade. “A primeira é que EVs iriam aumenta ro número de colisões com os pedestres porque eram mais silenciosos que veículos tradicionais. A segunda era que, onde há uma colisão, se o dano aos pedestres seria mais severo quando envolve umEV porque eles são mais pesados. Nossos resultados mostram que não é o caso.”

O estudo levantou que 250 bilhões de milhas (402 bi km) são percorridas por veículos no Reino Unido cada ano. A cada um bilhão percorridas, a quantidade de vítimas fatais por EVs foi de 57.8, e a de veículos a combustão interna, 58.9 –um empate técnico ligeiramente em vantagem dos EVs.

O peso é compensado

Carros elétricos são, em média, 20% a 30% mais pesados que modelos a combustão devido ao pacote de baterias. A física básica sugere que um objeto mais pesado, à mesma velocidade, transfere mais energia cinética num impacto, o que deveria causar lesões mais graves.

O estudo descobriu que, no mundo real, essa diferença teórica não se materializou em mais pacientes no necrotério. A gravidade das lesões sofridas por pedestres atingidos por EVs foi estatisticamente idêntica à daqueles atingidos por carros a combustão interna (ICE).

A pesquisa sugere que o design geralmente mais moderno dos carros elétricos – que costumam ter itens de segurança ainda ausentes em carros a combustão de entrada – pode estar a compensar o peso extra. A maioria dos EVs é projetada do zero com frentes mais aerodinâmicas e zonas de deformação otimizadas, além de virem equipados com pacotes de assistência à condução (ADAS) e frenagem autônoma de emergência mais avançados que a média da frota a combustão antiga.

Outro ponto levantado é o comportamento do motorista: a condução de um elétrico, muitas vezes focada na eficiência e com frenagem regenerativa forte (o “one-pedal driving”), pode estar a contribuir para velocidades de impacto ligeiramente menores em zonas urbanas, neutralizando a desvantagem do peso.

Quanto ao ruído, o estudo levantou que havia, de fato, uma desvantagem até 2019, quando todos os novos veículos passaram a vir com sistemas acústicos de alerta veicular (AVAS, na sigla em inglês). Por conta desses sistemas, a média de acidentes fatais caiu de 137,19 entre 2014 e 2018 para os já citados 57,82 entre 2019 e 2023. Os veículos a combustão interna tiveram também uma queda menos drástica, de 73,57 para 58,88.

Números contra os híbridos não plug-in

Híbridos não plug-in (HEV) se mostraram os piores veículos de todos, com uma taxa de 201,63 e 120,14 vítimas por bilhão de milhas percorridas nos dois períodos – mais que o dobro dos outros tipos de motorização. O estudo levanta a possibilidade disso ser por conta do uso típico de HEVs, como táxis e aplicativos de carona, por conta de seu consumo mais baixo de gasolina.

Como esses veículos são dirigidos de 3 a 4 vezes mais que um carro particular típico, o estudo admite que a milhagem deles pode ter sido subestimada, jogando o número de vítimas para cima. Mas também esse tipo de veículo vê mais uso urbano que um veículo particular típico, e nas cidades se concentram mais atropelamentos, simplesmente pela presença de pedestres maior.

Este estudo chega num momento no qual a segurança dos elétricos está sob escrutínio. Recentemente, a China propôs limitar a aceleração de novos EVs justamente por medo de acidentes causados pelo torque instantâneo.

Via Nature Communications, Universidade de Leeds

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