Estudo mediu quanto tempo duram as baterias de carros elétricos e traz recomendações

Levantamento da empresa Geotab constatou que baterias duram mais que a vida útil esperada dos carros e apontou os principais vilões do desgaste
Atualizado: 14 de janeiro de 2026 05:01
Chassis de carros elétricos mostrando as baterias
Baterias no chassi: o uso conta mais que a fabricação | Geotab / Divulgação

Uma análise com 22.700 veículos de 21 modelos diferentes, realizada pela empresa de gerenciamento de frotas Geotab, testou o desgaste de bateria em carros elétricos com o uso constante.

A constatação principal é a de que, em média, os veículos tendem a preservar 81,6% de sua capacidade após 8 anos – o que dá credibilidade à afirmação dos fabricantes que as baterias duram mais que a vida útil do carro. Em média os carros perdem 2,3% de sua capacidade de bateria a cada ano de utilização.

Uma nota local: a frota do Brasil é antiga e tem, em média, 11,1 anos para automóveis. Ainda assim, se você dobrar para 16 anos, teria um carro com 63,2% da bateria – possivelmente mais, porque os carros perdem mais bateria em seu primeiro ano, ainda segundo a Geotab. E, com o uso cuidadoso, você poderia mudar esse número para mais de 70% de bateria após 16 anos – basta seguir as recomendações a seguir.

Os vilões do desgaste de bateria

Além de simplesmente medir a média da degradação, o estudo identificou diversos fatores que afetam o desgaste da bateria.

O mais importante deles é o carregamento rápido. Estudos anteriores da empresa em 2023 haviam mostrado uma taxa menor – 1,8% – que o desgaste de 2,3% registrado em 2025. Pode soar paradoxal, porque a tecnologia de bateria está em evolução constante, mas, segundo a Geotab, a razão é, paradoxalmente, a melhoria na infraestrutura.

O uso de carga rápida foi apontado como o maior fator aumentando o desgaste nas baterias dos carros elétricos. Veículos que usam predominantemente carregamento lento ou raramente usam carga rápida (menos de 12% das vezes) têm uma degradação de apenas 1,5% ao ano. Mas veículos que utilizam frequentemente carregadores rápidos de alta potência (acima de 100kW) sofrem uma degradação de 3,0% ao ano — o dobro da taxa do outro grupo. De fato, os carros no grupo que não usou muito carregamento rápido mantiveram 88% de sua carga após 8 anos, um resultado bem melhor do que a média.

A recomendação para gestores de frotas e proprietários é estratégica: use a carga ultrarrápida apenas quando necessário. Carregue no seu wallbox caseiro ou do trabalho sempre que possível.

Um problema tropical

Uma outra parte é uma má notícia para os motoristas brasileiros – ou do mundo inteiro, considerando a situação do clima. Calor também aumenta o desgaste, ainda que bem menos que o uso de carregadores rápidos.

Carros operados em climas quentes, com mais de 35% dos dias acima de 25°C (oi Brasil!) degradam, em média, 0,4% mais rápido por ano do que aqueles em climas amenos. Embora os sistemas de gerenciamento térmico dos EVs modernos sejam eficientes, a física é implacável: o calor acelera as reações químicas internas que envelhecem a bateria.

Para nossa gente tropical, o estudo oferece um conselho: evite deixar seu carro no sol sempre que possível.

Carregamento parcial não é tão importante

Por fim, o carregamento em si: pra preservar a bateria, fabricantes ainda recomendam manter a carga do carro entre 20% e 80%. O estudo da Geotab traz uma nuance libertadora: não é preciso ficar obcecado com isso no uso diário.

A degradação acelerada (média de 2,0% ao ano) só foi observada em veículos que passavam a maior parte do tempo (mais de 80% do tempo total) parados com a carga muito cheia ou muito vazia. Graças aos “buffers” (reservas de segurança) de software que os fabricantes instalam, carregar até 100% para uma viagem e usar o carro em seguida não causa danos significativos. O problema real é deixar o carro estacionado por dias ou semanas com a bateria muito cheia ou muito vazia.

Via: Geotab

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