Congresso dos EUA propõe imposto para veículos elétricos duas vezes maior do que para os a combustão interna

O congressista responsável, do Partido Republicano, teve a indústria do petróleo como segundo maior financiador de sua campanha
Atualizado: 19 de março de 2026 12:03
Homem pagando impostos, prostrado de frustração
Morte e impostos | Oleg Ivanov / Unsplash

Uma nova proposta feita no congresso nacional dos EUA propõe um imposto fixo anual de US$ 200 a US$ 250 para proprietários de veículos elétricos. A ideia é um substituto para o imposto sobre combustíveis, que tem um valor fixo de 18,4 centavos por galão (3,79 l) de combustível. A ideia é que o valor seja aplicado em obras viárias federais.

Ainda que o valor não pareça tão grande assim (US$ 250 são R$ 1315 na cotação de hoje), ele acaba sendo até 2,5 vezes maior que os US$ 95 que um consumidor típico nos EUA paga anualmente, segundo os cálculos da electrek. E o valor do imposto sobre combustíveis se mantém o mesmo desde 1993, apesar de mais de 120% de inflação acumulada desde então.

Ainda segundo a electrek, como os carros elétricos são apenas 1,4% da frota, o dobro do valor da proposta poderia ser obtido reajustando o imposto sobre combustíveis em um centavo. E o imposto ignora a diferença de consumo – e rodagem, já que se trata de um financiamento para estradas – entre diferentes cidadãos.

Um dedo da indústria do petróleo

O imposto foi proposto por Sam Graves, do Partido Republicano (o mesmo do presidente Donald Trump), que preside o Comitê de Infraestrutura e Transportes do Congresso Nacional dos EUA. Nas últimas eleições, Graves recebeu US$ 163.300 em doações da indústria petrolífera, seu segundo maior doador após companhias aéreas.

A jogada então parece ser mais uma cartada antieletrificação no contexto do governo Trump, que começou por anunciar a extinção do subsídio federal de US$ 7.500 para carros elétricos, bloqueou o financiamento para a infraestrutura de recarga, acabou com o controle de emissões de gases estufa pela Agência de Proteção Ambiental, e até mesmo proibiu o uso da palavra “verde” nos comunicados do Departamento de Energia. Atualmente, o governo federal dos EUA está processando estados que mantiveram suas provisões contra emissões de gases estufa, como a Califórnia.

Lembrando que aqui no Brasil, as leis federais incentivam a combustão interna em detrimento de veículos elétricos sob o argumento de proteger a “indústria nacional”, e a instalação de fabricantes de elétricos em território nacional não mudou isso. São Paulo chega a ter um benefício fiscal que atinge apenas híbridos, não elétricos.

Via electrek

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