
A Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer, anunciou a conclusão bem-sucedida do primeiro voo de seu protótipo de eVTOL (aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical) em escala real. O teste ocorreu na unidade da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo.
O voo inaugural, realizado de forma não tripulada, serviu para validar a integração de sistemas essenciais da aeronave, incluindo a arquitetura de oito rotores dedicados ao voo vertical e o sistema de controle fly-by-wire de quinta geração — uma tecnologia herdada da experiência da Embraer em jatos executivos e comerciais.
A Embraer já prometeu que, em voos urbanos, espera que o eVTOL custe mais ou menos o equivalente às categorias mais altas de aplicativos de mobilidade.
Segundo a empresa, o protótipo comportou-se exatamente como previsto nos modelos de simulação. Nesta fase inicial, o foco foi o voo estático, pairando, avaliando o gerenciamento de energia, a resposta dinâmica e os níveis de ruído externo — um dos pontos cruciais para a aceitação desses veículos em ambientes urbanos.
“Este voo dá um sinal verde para avançarmos no que realmente importa para os operadores: confiabilidade, eficiência e simplicidade”, afirma Jorge Bittercourt, Chief Product Officer da Eve. “Validamos elementos críticos, desde nossa arquitetura de rotores sustentadores até a mecânica de voo da aeronave, e agora seguimos para a fase de testes em voo com foco em evoluir a maturidade do produto”.
Muitos testes adiante
Com o sucesso do voo vertical, a Eve planeja uma campanha intensiva para os próximos anos. No ano que vem, a promessa é de centenas de voos de teste e a transição gradual para o “voo sustentado pelas asas” (cruzeiro), onde a aeronave voa como um avião convencional. A certificação comercial deve ficar para o ano seguinte, assim como o início da fabricação em massa e entregas para os clientes.
Para explicar melhor: o eVTOL da Eve Air tem rotores verticais, para sustentá-lo no ar, e um rotor traseiro, para dar propulsão horizontal. Outros modelos são mais como drones ou helicópteros, obtendo seu movimento horizontal simplesmente se inclinando. A Embraer acredita que essa configuração é a mais energeticamente eficiente para o uso desejado, pequenos percursos urbanos. É a razão porque a imprensa (e alguns fabricantes) chamam eVTOLs de “carros voadores”, ainda que de carro não tenham nada. São substitutos muito mais baratos para helicópteros, potencialmente democratizando o transporte aéreo na cidade.
A Eve informou que produzirá um total de seis protótipos certificáveis para acelerar o processo junto à ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) e outras autoridades internacionais, como a FAA (EUA) e EASA (Europa).
“Hoje, a Eve voou. Este é um marco histórico para nossos colaboradores, clientes e investidores”, celebrou Johann Bordais, CEO da Eve. “Este voo valida nosso plano, executado com rigor para entregar a melhor solução ao mercado. Conseguimos capturar informações cruciais que nos permitirão avançar com segurança e confiança no caminho até a certificação.”
Via Embraer