
No Japan Mobility Show, a Mazda apresentou seu novo conceito: o Vision X-Coupe, que ao mesmo tempo marca o retorno do motor rotativo Wankel pela qual é famosa (ou talvez o Motor seja famoso pela Mazda insistir nele) e introduz uma tecnologia que, segundo a empresa, limpa o ar enquanto o motorista dirige.
Após um longo hiato, interrompido apenas recentemente pelo uso do Wankel como um pequeno gerador extensor de autonomia no EREV MX-30, o Vision X-Coupe traz de volta o motor como parte da tração. O conceito é um cupê esportivo híbrido plug-in que utiliza um novo motor Wankel de dois rotores. O sistema híbrido entrega uma potência combinada de 503 cv. O veículo possui uma autonomia puramente elétrica de 160 km e um alcance total de até 800 km.
Um passo para trás e outro para frente: se o motor a combustão interna volta a trabalhar na propulsão, a inovação fica por conta do sistema Mazda Mobile Carbon Capture” (Captura Móvel de Carbono Mazda). O motor Wankel foi projetado para funcionar com combustíveis artificiais neutros em carbono, especificamente um composto feito de microalgas. Quando o motor a combustão está operando, o dispositivo de captura suga o dióxido de carbono (CO2) diretamente do escapamento.

Esse CO2 capturado é então armazenado em um tanque a bordo do veículo. A lógica da Mazda é criar um balanço negativo de carbono: as microalgas absorvem CO2 da atmosfera durante seu crescimento, e o carro captura o CO2 emitido durante a queima. O CO2 coletado pode então ser removido e sequestrado permanentemente ou reutilizado para criar mais combustível sintético.
A Mazda diz que o carro faz mais que capturar o próprio carbono: afinal, quando um carro solta o gás de seu escapamento, está também emitindo de volta o carbono que já estava no ar que foi aspirado pelo motor, não apenas o da própria queima. Ao remover todo o carbono do escape, o carro também remove o carbono da atmosfera.
O motor especialidade da Mazda
Para a Mazda, o motor Wankel é mais é uma parte central de sua identidade. A empresa de Hiroshima foi a única fabricante de automóveis a produzir em massa essa tecnologia por décadas, começando com o Cosmo Sport em 1967. O motor rotativo, que usa de um cabeçote triangular no lugar de pistões, não é usado em todos os Mazdas, mas é basicamente uma exclusividade da montadora japonesa.

Mas a tradição acabou em 2012, com o fim do Mazda RX-8 um esportivo cuja produção durou apenas 9 anos. O ápice de sua engenharia foi a viitória nas 24 Horas de Le Mans em 1991 com o 787B, tornando a Mazda a primeira e única fabricante japonesa a vencer a corrida de resistência com um motor não convencional.
“Vislumbramos um futuro onde, quanto mais quilômetros você dirige, mais você ajuda a reduzir o CO2”, disse Masahiro Moro, CEO global da Mazda, durante a apresentação.
Para provar que a tecnologia é viável além dos salões de automóveis, a Mazda planeja testar o sistema de Captura Móvel de Carbono em condições reais de competição. O sistema será instalado em um carro da Mazda Spirit Racing na série de corridas de resistência Super Taikyu.